Vamos garantir que inflação volte para a meta, mas levará mais tempo, diz presidente do BoE
O presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, disse nesta terça-feira, 14, que a inflação do Reino Unido retornará à meta de 2%, mas alertou que esse processo levará tempo. Segundo ele, a previsão inicial do BC britânico era a partir de abril ou maio deste ano, antes do advento da guerra no Oriente Médio.
"Parecia que estávamos entrando em um período mais estável", disse Bailey sobre comentários seus em fevereiro deste ano. "A inflação não voltou à meta, embora as evidências que vimos nos últimos meses tenham reforçado minha visão de que, não fosse isso guerra no Oriente Médio, ela teria voltado".
O presidente do BoE mostrou preocupação com a volatilidade recente nos preços de energia e destacou que o Reino Unido tem registrado ritmo baixo de crescimento econômico nos últimos quinze anos. Segundo ele, a atividade econômica britânica segue fraca, atingida por uma sequência de choques negativos de oferta que contribuíram para essa taxa de crescimento menor - incluindo a pandemia, a guerra na Ucrânia, o Brexit, entre outros.
Bailey defendeu que a política macroeconômica do Reino Unido deve permitir o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) e da produtividade, aliada a um ambiente regulatório que sustente o crescimento da atividade ao invés de impedi-lo.
"Regulações efetivas e bem elaboradas podem corrigir falhas, reduzir custos de transação, diminuir barreiras e apoiar a competição e a inovação", apontou. "A regulação reduz a probabilidade de crises financeiras e sua severidade, ajudando o crescimento sustentável ao proteger a oferta financeira e permitir a população planejar para o longo prazo com confiança".
No entanto, Bailey ponderou que três áreas ainda representam desafios regulatórios: capital bancário, pagamentos e inteligência artificial (IA).
Sobre bancos, o dirigente argumentou que uma regulação efetiva diminui custos de capital bancário e melhora a competitividade, em um sistema no qual as instituições britânicas já estão "saudáveis e resilientes, com lucro excedendo custo de capital". Em relação a pagamentos, Bailey vê a necessidade de modernização e ampliação da proteção contra ciberataques para aprimorar a confiança no "papel do dinheiro" na economia.
Já quanto à IA, o presidente do BoE apontou que é necessário definir questões legais e de alocação de recursos para garantir que a tecnologia amplie o crescimento da economia sem prejudicar investimentos em outras áreas como pesquisa médica, tecnologia de drones, fornecimento de energia limpa, entre outros.



