Cana: IA entra em campo e evita pisoteio e até R$ 100 mil de prejuízo por safra

Tecnologia da brasileira GeoIA funciona como um "GPS de ultraprecisão", guiando colheitadeiras para não esmagarem a plantação e evitando perdas milionárias para os agricultores

02/11/2026 às 08:13 atualizado por Karine Pegoraro - SBA
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Você já imaginou o impacto de um simples pneu de trator a passar por cima do lugar errado na lavoura? No agronegócio, esse erro centímetro tem um nome: pisoteio. Quando a máquina agrícola erra a rota durante a colheita, o seu rodado esmaga a "soqueira", que é a base da planta, como no caso da cana-de-açúcar, de onde nascerão as novas folhas na próxima safra. O dano pode parecer pequeno na hora, mas a conta chega pesada no ano seguinte: a planta nasce fraca, a produtividade despenca e o agricultor é obrigado a replantar toda a área muito antes do tempo, acumulando um grande prejuízo.

Até há pouco tempo, evitar esse problema era um desafio constante, pois dependia da visão do piloto ou de sistemas de localização, como o piloto automático comum, que, muitas vezes, não tinham a precisão necessária para acompanhar a realidade exata de como a semente foi plantada na terra. Mas a inteligência artificial acaba de mudar as regras do jogo.

A agtech brasileira GeoIA desenvolveu um sistema que atua como um verdadeiro mapa de ultraprecisão para as máquinas. Utilizando imagens de drones e inteligência artificial avançada, a tecnologia consegue ver exatamente onde cada linha da cultura foi plantada, mesmo em cenários complexos com presença de erosão ou baixo paralelismo. O sistema cria "linhas de colheita" perfeitas, enviadas para o computador de bordo do trator. Desta forma, a máquina navega sozinha, corrigindo a rota centímetro por centímetro e garantindo que as rodas passem exatamente entre as plantas, sem encostar na soqueira.

"Quando a linha não coincide com o que está no campo, a máquina desalinha e o pneu esmaga a base da planta. O que fizemos foi criar um sistema inteligente que entrega a rota exata para o piloto automático da máquina, na mesma precisão que a colheita exige. É como dar uma visão raio-X para o trator", explica José Marcato Jr, doutor em geomática, professor e cofundador da GeoIA, empresa que nasceu na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Para comprovar a eficiência da inteligência artificial contra o pisoteio, uma avaliação foi realizada: mais de 650 mil medições no campo serviram como base para comparar o sistema da GeoIA com outras soluções do mercado. Os resultados mostraram por que o produtor perdia dinheiro. O sistema concorrente registrou um erro médio de desvio de rota de 26 centímetros, espaço mais do que suficiente para um pneu esmagar a planta. Além disso, 27,6% do trajeto da máquina apresentou desvios tão grandes, acima de 40 cm, que o piloto automático simplesmente não conseguia funcionar direito. Em uma área de apenas 30 hectares afetados por esse erro contínuo de rota, estima-se que 732 toneladas de produto deixem de nascer no próximo corte. Isso significa um prejuízo invisível que chega a ultrapassar os R$ 110 mil a cada safra para o produtor. Ao utilizar o sistema da agtech, a máquina navega perfeitamente. A linha restituída pela IA permite que o trator opere sozinho, sem necessidade de correção manual, protegendo o potencial produtivo da terra ano após ano.

Fazer a restituição correta de linhas não é um gasto extra para o produtor. A tecnologia, que já é validada e utilizada em grandes grupos do setor, como Raízen, São Martinho, Tereos e Adecoagro, paga o próprio investimento logo no primeiro corte e garante a longevidade e o lucro da lavoura pelos próximos anos. Com um único voo, a plataforma da empresa gera também diversos outros produtos em menos de 24 horas, atuando de forma inteligente em processos de blocagem e identificação de falhas.

 

Informações: Assessoria de Imprensa