El Niño já é forte e pode atingir intensidade maior ainda no início da primavera

Anomalia semanal na região Niño 3.4 chegou a 2°C, enquanto NOAA aponta mais de 90% de chance de um El Niño muito forte nos próximos meses

14/09/2026 às 17:14 atualizado por Redação - SBA
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O El Niño continua se fortalecendo neste mês de setembro. A atualização mais recente do monitoramento do Pacífico mostra que a anomalia semanal da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a 2,0 °C.

O aquecimento está ainda mais intenso em setores mais próximos da América do Sul. Na região Niño 3, a anomalia alcança 2,8 °C, enquanto na Niño 1+2 chega a 3,7 °C. Já na Niño 4, no Pacífico mais a oeste, o valor está próximo da média, em -0,1 °C.

Nas últimas semanas, as águas acima da média ganharam força principalmente no Pacífico equatorial centro-leste e leste. O aquecimento também permanece presente abaixo da superfície do oceano, mostrando que há uma quantidade expressiva de calor armazenada nessa região.

Além das condições oceânicas, o comportamento da atmosfera também está consistente com a presença do El Niño. Alterações nos ventos e na distribuição da convecção tropical reforçam que há um acoplamento entre oceano e atmosfera, característica essencial do fenômeno.

 

Anomalia semanal chega a 2°C

Apesar de a região Niño 3.4 já registrar uma anomalia semanal de 2°C, esse valor não deve ser interpretado isoladamente como a classificação oficial do El Niño em intensidade muito forte.

A NOAA passou a utilizar o Relative Oceanic Niño Index (RONI) como uma das principais medidas para monitorar e comparar historicamente os episódios de El Niño e La Niña. O índice considera a temperatura da região Niño 3.4 em relação ao aquecimento médio dos oceanos tropicais e utiliza médias móveis de três meses.

O valor mais recente do RONI, referente ao trimestre junho–julho–agosto de 2026, é de 1,4 °C. A evolução das últimas semanas, entretanto, indica continuidade do fortalecimento do episódio.

 

Chance de El Niño muito forte supera 90%

As projeções oficiais indicam mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre os trimestres setembro–novembro e novembro–janeiro de 2026/27.

Isso coloca a primavera e o começo do verão como períodos importantes para acompanhar o pico de intensidade do fenômeno.

A projeção apresentada pela NOAA também indica que os valores do RONI devem continuar aumentando nos próximos meses, atingindo o máximo entre a primavera e o início do verão antes de começarem uma trajetória gradual de enfraquecimento.

 

El Niño tem 75% de chance de superar episódios anteriores

Outro destaque da atualização é o potencial histórico deste episódio. Para o trimestre outubro–novembro–dezembro de 2026, a NOAA estima em 75% a probabilidade de o atual El Niño superar a intensidade dos episódios anteriores registrados desde 1950.

A comparação histórica é feita com base no RONI. Entre os eventos recentes, o El Niño de 2015/16 atingiu valores acima de 2 °C durante vários trimestres, chegando a 2,3 °C no período novembro–dezembro–janeiro.

Portanto, ainda não é possível afirmar que o atual El Niño será o mais intenso da série. O que as projeções mostram é uma probabilidade elevada de que isso aconteça.

 

Fenômeno pode persistir até 2027

O fenômeno também deve ter longa duração. A projeção probabilística indica que o El Niño deve persistir pelo menos até o trimestre março–abril–maio de 2027. A partir daí, aumenta a possibilidade de enfraquecimento. Para o trimestre abril–maio–junho de 2027, a chance de condições neutras chega a 55%.

Isso significa que a influência do fenômeno poderá continuar durante toda a primavera e o verão e alcançar parte do outono de 2027 no Hemisfério Sul.

 

El Niño muito forte não significa impactos extremos em todos os lugares

Mesmo com a perspectiva de elevada intensidade, é importante separar a força do fenômeno da intensidade de seus impactos. Um El Niño muito forte não significa que chuva, seca ou calor serão necessariamente extremos em todas as regiões. À medida que o fenômeno se intensifica, aumenta a probabilidade de ocorrência de padrões atmosféricos normalmente associados ao El Niño, mas outros fatores também interferem no comportamento do tempo.

No Brasil, esse padrão pode favorecer chuva acima da média na Região Sul, períodos mais secos em áreas do Norte e maior ocorrência de episódios de calor. A distribuição, a duração e a intensidade desses efeitos, porém, dependem da interação do El Niño com outros sistemas atmosféricos e oceânicos. Por isso, a previsão do tempo e as atualizações sazonais continuam fundamentais para acompanhar como a influência do fenômeno efetivamente se manifestará em cada região.

 

Informações: Climatempo