Embalagem reciclada é opção estratégica diante de nova crise global do petróleo

Pioneira mundial do setor, Campo Limpo Plásticos comprova viabilidade técnica da economia circular de alta complexidade no agronegócio

14/04/2026 às 15:32 atualizado por Redação - SBA
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Campo Limpo Plásticos tem capacidade de produzir até 17 milhões de embalagens recicladas por ano


Uma tecnologia desenvolvida por brasileiros no interior de São Paulo está permitindo substituir resina plástica virgem, produzida a partir de matérias-primas fósseis, como o petróleo, por material reciclado na produção de embalagens de defensivos agrícolas. Um avanço que já opera em escala industrial na Campo Limpo Plásticos há quase duas décadas e que começa a atrair a atenção de governos e entidades internacionais.
 

Especialmente no cenário geopolítico atual, com conflitos internacionais causando incertezas e com a pressão e a volatilidade do petróleo em alta, a reciclagem surge como uma opção imediata e viável a essa matéria-prima. “O modelo brasileiro de reciclagem de embalagens usadas tem despertado curiosidade por resolver um problema sério e por ter viabilidade econômica”, conta Marcelo Okamura, presidente da Campo Limpo Plásticos.


Esse movimento começa a alterar um dos pilares da indústria do plástico. Na prática, além de todos os benefícios para o meio ambiente que a reciclagem gera, o que se tem visto é a substituição progressiva da resina virgem na fabricação de novas embalagens, reduzindo assim a dependência por petróleo.


Segundo Okamura, as embalagens com resina reciclada entregam o mesmo nível de segurança, resistência e qualidade estrutural das embalagens feitas com matéria-prima virgem. “O que mais chama a atenção no exterior é que conseguimos fechar o ciclo: recolher, reciclar e voltar a produzir embalagens com o mesmo nível de exigência técnica”, afirma.


Hoje, 100% das embalagens de defensivos agrícolas recolhidas pelo Sistema Campo Limpo (programa criado para evitar o descarte inadequado de embalagens de defensivos) têm destinação ambientalmente correta, com a totalidade das embalagens plásticas rígidas sendo recicladas. Este índice coloca o Brasil como referência mundial no tema e contrasta com outros mercados relevantes. No Canadá, por exemplo, um dos sistemas mais estruturados da América do Norte, a taxa de reciclagem de embalagens agrícolas varia entre 76% e 81%, de acordo com dados da Cleanfarms. Já nos EUA, estudos indicam um cenário mais desafiador. Pesquisa publicada pela Royal Society of Chemistry aponta que menos de 10% dos resíduos plásticos agrícolas são reciclados no país.


Além do impacto ambiental, a substituição da resina virgem reforça a eficiência econômica do setor. Com capacidade de produzir até 17 milhões de embalagens por ano, a Campo Limpo projeta investir R$ 140 milhões nos próximos três anos para ampliar sua operação. O resultado é um modelo que, mais do que resolver um problema local, passa a ser observado como referência global — e que reposiciona o Brasil não apenas como potência agrícola, mas como exportador de soluções em economia circular aplicada.