Exportação eleva os preços internos do arroz, mas a conta não fecha para os rizicultores

Apesar do aumento da exportação no primeiro semestre, produtores não conseguiram quitar os custos de produção

14/07/2026 às 08:54 atualizado por Redação - SBA
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A safra de arroz 2025/26 foi concluída, segundo análise da Scot Consultoria. Em comparação com a safra anterior 2024/25 houve uma redução da área em 13,9% e queda na produção (mil t) em 13,2% (Conab). A produtividade (kg/ha) aumentou 0,9%, totalizada em 7.299 kg/ha.

A produção está estimada em 11,1 milhões de toneladas com uma produtividade de 145,9 sacas/ha e uma área cultivada de 1,5 milhões de hectares, sendo a Região Sul a maior produtora, com mais de 1,1 milhões de hectares plantados. 

O preço da saca está insuficiente para restabelecer a rentabilidade da atividade. Em comparação com julho de 2025 (figura 1), a cotação da saca caiu em média de R$68,14 para R$60,43, uma queda de 11,3%. Entretanto, comparado a janeiro, os preços vêm se recuperando e subiram 11,4%.

 

Em relação aos últimos cinco anos, a cotação da saca vem caindo desde novembro de 2024. O mês de dezembro de 2025 registrou a menor média mensal, negociada em R$53,06 (figura 2). A partir de janeiro de 2026, os preços reagiram e atingiram a maior média em abril de 2026, cotada em R$62,66. Porém essa cotação não foi suficiente para repor os custos dos produtores.

De acordo com o Instituto Rio Grandense de Arroz (IRGA, figura 3), o custo médio para a produção de uma saca de arroz em junho de 2025 girava em torno de R$95,04, e a cotação da saca nesse mesmo mês foi de R$72,10. O custo de produção vêm superando os preços negociados do arroz desde a última safra.

Com o aumento da exportação brasileira, a cotação da saca do arroz no mercado interno tende a melhorar. Segundo o levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), baseado nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Comex Stat, a exportação do arroz subiu 42,0% em volume (toneladas - base casca) e para o arroz beneficiado subiu 85,0% (toneladas - base casca), na comparação de junho de 2025 com junho de 2026. A receita até junho está estimada em US$266,79 milhões.

A importação também aumentou, perfazendo 746 mil toneladas (base casca), um aumento de 13,1% comparando de janeiro até junho do ano passado. Apesar da elevação do volume importado, o valor negociado nesse período caiu 15,0%, totalizado em US$182,28 milhões.

Portanto, a exportação cresceu, o que sugere a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional, restringindo a oferta interna e impulsionando a recuperação das cotações.

Renegociação de dívidas
Devido ao endividamento causado pelos altos custos de produção e pela baixa remuneração da saca, rizicultores defendem que o novo ciclo do Plano Safra 2026/2027 deve acompanhar medidas de renegociação de dívidas, já que, sem essa quitação, muitos produtores devem ficar fora da linha de crédito.

Segundo a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), as medidas anunciadas não atendem às principais demandas do setor, sobretudo no que se refere às taxas de juros, ao volume de recursos destinados ao custeio e à situação financeira dos produtores.

A presidência da Federarroz reforça que os produtores precisam de suporte governamental para encarar as dificuldades do mercado e renegociarem suas dívidas.

 

Expectativa

Com a crescente procura do mercado externo, a expectativa é que haja maior restrição da oferta no mercado nacional e, consequentemente, um movimento de firmeza nos preços. Apesar das perspectivas de melhora, no curto prazo é pouco provável que os produtores consigam recuperar integralmente os custos de produção.

Parte dos rizicultores também começaram a se preparar para a próxima safra, principalmente em relação aos insumos agrícolas, que estão em alta. Reduzir os custos de produção pode resultar em uma melhor liquidez futura. Segundo ao levantamento da Emater/RS-Ascar, algumas áreas colhidas estão sendo utilizadas para plantio de culturas de entressafra, como azevém e para pastejo animal, visando a integração lavoura-pecuária.

 

Informações: Scot Consultoria