Menor oferta e cenário externo pressionam: cotação do trigo volta a ganhar força
Mercado doméstico lento, mas com viés de alta diante da menor produção e das incertezas na safra global

O mercado brasileiro de trigo está em ritmo lento, mas reagindo, a cotação subiu. No Paraná, na comparação feita mês a mês, a cotação subiu 4,2%, estando em R$1217,98/t. Há um mês, estava em R$1169,17. No Rio Grande do Sul, no mesmo período, a cotação subiu 1,9%, estando em R$1093,93/t. Há um mês, estava em R$ 1073,10/t.
A cautela dos produtores e compradores, somada à recomposição pontual dos estoques pelos moinhos e à restrita oferta de trigo de melhor qualidade, sustenta as cotações em um cenário de menor disponibilidade interna.
A estimativa de produção da safra 2026 caiu 12,3% em comparação a 2025 (Conab). A redução acontece em função da menor área semeada, que agora é de 2,3 milhões de hectares, retração de 5,2% em nível nacional.
O mercado internacional de trigo, ganhou sustentação diante das incertezas em torno da safra no hemisfério norte, onde as lavouras ainda enfrentam inverno rigoroso e dúvidas quanto ao potencial produtivo após o período de dormência. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, na Rússia, União Europeia e Canadá, a produção será com volumes próximos aos de 2025/26.
Apesar da perspectiva de menor oferta na safra 2026/27, a retração no consumo total deve manter os estoques finais praticamente estáveis, estimados em 933 milhões de bushels, o maior dos últimos sete anos.
A projeção para o mercado de trigo nos Estados Unidos na safra 2026/27 indica um cenário de menor oferta, com recuo no consumo e estoques finais praticamente estáveis. A produção está estimada em 1,86 bilhão de bushels, uma queda de 6% em relação à safra 2025/26, reflexo da redução da área colhida e da menor produtividade esperada (USDA; 2026).
Segundo o NASS (Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas dos EUA), a área semeada com trigo de inverno nos Estados Unidos foi estimada em 45,0 milhões de acres, com leve redução em relação ao ano anterior. Já o IGC projeta recuo na produção mundial de grãos em 2026/27, influenciado pela menor produção nos EUA, devido a fatores climáticos, e por riscos geopolíticos no Oriente Médio. Nesse cenário, projeta-se uma contração na oferta total, com a produção global de trigo estimada em 822 milhões de toneladas, frente aos 845 milhões registrados na safra anterior.
A redução está associada tanto à diminuição da área colhida quanto à perspectiva de menores rendimentos.
Portanto, o mercado brasileiro de trigo tende a manter um viés de firmeza no curto prazo, sustentado pela oferta interna ajustada e pelo ambiente externo incerto.
Essa sinalização do IGC é relevante, já que a perspectiva de menor produção adiante pode atuar como fator de sustentação dos preços, especialmente no médio prazo. No entanto, esse movimento tende a se refletir mais à frente, ao longo dos próximos meses.
Para o mercado futuro, apesar do ritmo ainda lento nas negociações no curto prazo, a combinação de menor produção projetada, redução das importações e riscos climáticos no hemisfério norte fortalece o viés de sustentação das cotações.
Informações: Scot Consultoria



