Preços do café começam 2026 em queda

Após o rally de alta e um mercado firme em 2025, o clima favorável e a apreciação do real pressionaram a cotação

11/02/2026 às 08:20 atualizado por Redação - SBA
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Os preços do café arábica e do café robusta caíram, respectivamente, 11,1% e 14,6% do começo de janeiro, até 6/2/2026, segundo análise da Scot Consultoria. Acompanhe o indicador na figura 1.

Figura 1.
Preços do café arábica e robusta, em R$/saca.

Fonte: Cepea/Esalq. Elaboração: Scot Consultoria


No mercado internacional, os preços também perderam força. Os contratos futuros de café arábica e conilon, para março, estão no menor nível desde 18 e 19 de dezembro, respectivamente – acompanhe na figura 2. 

Figura 2.
Preços do café no mercado futuro, para o contrato com vencimento para março/26.

Fonte: ICE Londres, ICE Nova York

O que explica a queda?
A colheita no Vietnã terminou em janeiro - a expectativa segundo fontes locais, apesar de fortes chuvas que acometeram o país em novembro/25, é de recuperação da produção em 12,0% em relação ao ano anterior, somando 31,2 milhões de sacas entre robusta (29,9 milhões) e arábica (1,3 milhão).

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em dezembro, estimou a produção em 30,8 milhões de saca em 2025/26, contra 29,0 milhões no ano anterior – recuperação de 6,2%.


No Brasil, após preocupações com o clima e a pegada da florada entre setembro/25 e outubro/25, o clima nos últimos 30 dias colaborou com o desenvolvimento, com destaque à região Sudeste (veja na figura 3) e, o potencial de quebras esperado durante o período em questão, deverá ser menor – a safra brasileira está estimada em 65,0 milhões de sacas, aumento de 0,5% em relação ao ciclo anterior (USDA).

A percepção de uma safra mais confortável por aqui, também tirou sustentação do mercado.

A apreciação do real ante o dólar também pressionou os preços, somando-se ao movimento de preços internacionais em queda.

Figura 3.
Precipitação acumulada no Brasil nos últimos 30 dias, por região.

Fonte: INMET

Expectativa
A Conab apresentou em 5 de fevereiro, o primeiro relatório com perspectivas para a safra brasileira em 2026 e apontou incremento de 17,1% na produção em relação ao ano anterior – estimada, agora, em 66,2 milhões de sacas. Está será a maior safra da história, se confirmada.

A estimativa é que produção de arábica aumente 23,3%, para 44,1 milhões de toneladas, acompanhando a bienalidade da variedade, e a do robusta, 6,4%, estimada em 22,1 milhão de toneladas.

O viés está baixista no mercado cafeeiro no curto prazo, principalmente nas bolsas internacionais e com o dólar mais baixo, refletir nos preços no Brasil.

A oferta enxuta mais por aqui, até o início da colheita, em meados de março (figura 4), porém, poderá limitar o viés baixista.

Apesar das perspectivas de aumento da produção em países produtores, como Brasil e Vietnã, o balanço entre a oferta e a demanda global, deverá continuar apertado, com os estoques finais no mundo estimados em 20,1 milhões de sacas – os menores desde 2016 (tabela 1),fator que poderá limitar revezes ao longo da temporada.

Figura 4.
Estimativa da colheita de café no Brasil, mês a mês.
Fonte: Conab / Elaboração: Scot Consultoria.

 


Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria.

 

Informações: Scot Consultoria