Safra brasileira de milho pode superar 140 milhões de toneladas
Estimativa é da Hedgepoint Global Markets, que mantém viés de revisão positiva diante dos resultados favoráveis registrados em vários estados

São Paulo, 3 de agosto de 2026 – A produção brasileira de milho na temporada 2025/26 está estimada em cerca de 140 milhões de toneladas pela Hedgepoint Global Markets, acima dos 138 milhões de toneladas projetados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). A consultoria mantém viés de revisão positiva em agosto, uma vez que a segunda safra apresentou resultados favoráveis em vários estados, apesar dos problemas registrados em Goiás.
A colheita está atrasada no Centro-Sul, em linha com o calendário de plantio mais tardio. Até o momento, porém, não há indícios de grandes problemas de disponibilidade no país, embora possam ocorrer desafios regionais pontuais.
Exportações mantêm ritmo forte, mas Irã traz incerteza
Os registros de embarques brasileiros estão cerca de 1 milhão de toneladas à frente do observado no ano passado. A continuidade desse ritmo, no entanto, enfrenta um risco relevante relacionado ao Irã, maior comprador do cereal nacional em 2025, quando adquiriu aproximadamente 9 milhões de toneladas.
Em 2026, as vendas ao mercado iraniano recuaram 36% até junho, para 1,5 milhão de toneladas, ante 2,3 milhões no mesmo período do ano anterior. O impacto do conflito no Oriente Médio sobre esse fluxo comercial é um ponto de atenção para o segundo semestre.
“No milho, o destaque é a crescente força exportadora da Argentina e o risco geopolítico sobre as vendas brasileiras ao Irã, ao lado da expansão estrutural do etanol de milho como novo pilar de demanda doméstica”, afirma Luiz Fernando G. Roque, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
Etanol consolida novo vetor de consumo
O milho destinado à produção de etanol já soma 28,5 milhões de toneladas, 5,5 milhões a mais que no ano anterior. Se a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), aprovada inicialmente por 180 dias, for confirmada em caráter definitivo, o consumo adicional do cereal poderá chegar a aproximadamente 1,5 milhão de toneladas. Caso a medida vigore somente durante esse período, a demanda extra estimada será de cerca de 700 mil toneladas.
O avanço também aparece na capacidade produtiva. O número de usinas em operação passou de 27 para 29, enquanto outras 27 unidades estão projetadas ou em construção. Segundo a Hedgepoint, o movimento sinaliza crescimento estrutural do mercado interno, que se expande para além do Centro-Oeste.
Argentina amplia concorrência no mercado internacional
A Argentina se consolidou como a origem mais competitiva para o milho, superando os Estados Unidos. O Brasil ocupa atualmente a posição menos favorável na América do Sul, embora a diferença de preços seja pequena e possa ser compensada pela qualidade e pela logística.
Para a temporada 2025/26, o USDA estima a produção argentina em 63 milhões de toneladas, enquanto a Bolsa de Rosário aponta 68 milhões. As exportações do país são projetadas em 45 milhões de toneladas, ante 29 milhões em 2024/25. Esse volume pode superar os 43 milhões previstos para o Brasil, estimativa que apresenta viés de queda, e acirrar a disputa entre os dois países.
Clima nos Estados Unidos e safra francesa entram no radar
Nos Estados Unidos, a colheita pode resultar na segunda maior produção da história, embora a produtividade já seja projetada abaixo da temporada anterior. Cerca de 19% da área cultivada está sob seca, ante aproximadamente 9% no ano passado, o que reforça o risco de ajustes negativos nos rendimentos caso o clima não melhore em agosto.
As exportações norte-americanas já somam 86,3 milhões de toneladas, acima da estimativa de 84,5 milhões do USDA, e seguem como importante fator de sustentação dos preços em Chicago. Parte desses volumes registrados, porém, pode migrar para o ciclo seguinte na virada do ano comercial.
Na União Europeia, a deterioração das lavouras francesas pode abrir espaço para outros fornecedores. Apenas 41% das áreas de milho da França estão em condições boas ou excelentes, enquanto 31% são classificadas como ruins ou muito ruins. A perspectiva é de novos cortes na produção e de aumento das importações europeias, movimento que pode beneficiar Brasil, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.
“Dessa forma, o momento é de cautela e de necessidade de acompanhamento constante dos fatores, tanto climáticos quanto de oferta e demanda, já que vários números-chave ainda estão em aberto e podem alterar o equilíbrio dos mercados nos próximos meses”, conclui Roque.
Informações: Hedgepoint Global Markets



