Boa Safra reverte prejuízo e tem lucro líquido de R$ 2,7 milhões no 2º tri

17/08/2026 às 13:40 atualizado por Gabriel Azevedo - Estadão
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São Paulo, 17 - A Boa Safra registrou lucro líquido de R$ 2,7 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo prejuízo de R$ 2,7 milhões em igual período do ano passado, em base comparável. A receita operacional líquida cresceu 23%, para R$ 124,7 milhões, enquanto o Ebitda ajustado saltou 504%, de R$ 4,6 milhões para R$ 27,7 milhões. A margem Ebitda ajustada passou de 4% para 22%. O lucro bruto aumentou 83%, para R$ 69,7 milhões, e a margem bruta avançou de 38% para 56%. A companhia atribuiu a melhora à combinação entre custos mais favoráveis e maior participação de negócios além das sementes de soja, que vêm reduzindo a forte sazonalidade dos resultados. "É um trimestre com lucro, um lucro pequeno, mas é lucro. Não é tão simples fazer lucro no primeiro e no segundo trimestre na nossa atividade", afirmou o CEO e cofundador da Boa Safra, Marino Colpo. "No ano passado a gente teve prejuízo no segundo trimestre. Esse ano a gente teve lucro. As novas culturas estão ajudando." O desempenho antecede o período mais importante do ano para a companhia. A Boa Safra concentra grande parte do faturamento no segundo semestre, quando avança a entrega de sementes para o plantio da nova safra. "Se você olhar a companhia, os trimestres mais importantes são o terceiro e o quarto. O filme termina no quarto tri", disse Colpo. A companhia encerrou junho com carteira de pedidos recorde de R$ 1,804 bilhão, crescimento de 4% em um ano. Desse total, R$ 1,467 bilhão correspondia a sementes de soja, queda de 12% ante o segundo trimestre de 2025. A retração foi compensada pelo avanço das demais culturas e serviços, que passaram a ter peso maior no negócio. Segundo Colpo, a redução na carteira de soja reflete principalmente o atraso dos produtores na tomada de decisão sobre a compra de insumos. O executivo afirmou que a restrição de crédito, o aumento dos custos de fertilizantes e fretes e uma relação de troca menos favorável levaram produtores a postergar as compras, mas disse esperar avanço da comercialização no terceiro trimestre. "A gente tem esse gap para fechar no terceiro trimestre, a gente tem muito trabalho a fazer, tem muita venda a fazer, mas ainda tem um mercado para acontecer", afirmou. Segundo ele, a companhia não vê neste momento sinais de redução relevante da área brasileira de soja e está comercializando sementes em ritmo ligeiramente superior à média observada no setor. A diversificação também ganhou peso no resultado. As receitas das novas culturas, serviços e insumos cresceram 90% no segundo trimestre ante igual período de 2025. O CFO da companhia, Felipe Marques, afirmou que essas operações começam a reduzir a dependência dos trimestres em que se concentra o faturamento de sementes de soja. "A gente cresce 90% quando a gente olha os outros negócios da companhia em relação a 2025", disse Marques. "Isso já está começando a impactar positivamente não só o top line, mas também o resultado da companhia." A melhora das margens também faz parte de uma mudança de estratégia após a expansão acelerada de 2025. Segundo Colpo, a Boa Safra ganhou mais de dois pontos porcentuais de participação no mercado no ano passado, mas o movimento exigiu maior estrutura comercial, abertura de clientes e concessão de descontos. "Esse ano a gente está contando uma outra história, uma outra meta. Vamos tirar o foco em crescimento e vamos recuperar a margem", afirmou. Segundo o CEO, a intenção é preservar aproximadamente os 10% de participação conquistados no mercado de sementes de soja e atuar de forma mais seletiva comercialmente. A companhia também vê um ambiente de menor oferta no setor. Colpo disse que a crise de liquidez tem levado empresas de sementes a reduzir suas operações e afirmou que há casos de recuperação judicial no segmento. Ao mesmo tempo, problemas climáticos diminuíram a disponibilidade de sementes de maior qualidade. "A gente tem se deparado com uma concorrência menor esse ano", afirmou. "Tem tido RJs no nosso setor. Nossos concorrentes a gente sente que eles estão diminuindo de tamanho." A melhora operacional também apareceu na geração de caixa. No primeiro semestre, o fluxo de caixa operacional ficou positivo em R$ 204 milhões, ante consumo de R$ 303 milhões em igual período de 2025. A necessidade de capital de giro caiu de R$ 1,241 bilhão para R$ 769 milhões, enquanto os adiantamentos a fornecedores recuaram fortemente após renegociações de prazos. Marques disse que a companhia reduziu antecipações e passou a buscar com fornecedores prazos mais próximos daqueles concedidos aos clientes, além de interromper a expansão da capacidade de sementes de soja neste ciclo. A dívida líquida consolidada encerrou junho em R$ 619,8 milhões, queda de 23% em base comparável ante um ano antes. Ao mesmo tempo, o caixa e as aplicações financeiras cresceram para R$ 1,31 bilhão. "A gente já mostra uma menor dívida líquida em relação ao segundo trimestre de 25", afirmou Marques. "Acho que mostra que as nossas ações já estão se mostrando em resultado dentro da empresa." Reação deve vir no 3º trimestre Boa Safra atribui o recuo de 12% na carteira de pedidos de sementes de soja em junho ao atraso dos produtores na compra de insumos, em um ambiente de crédito mais restrito, custos elevados e pior relação de troca no campo. A companhia espera que parte das vendas represadas seja realizada no terceiro trimestre e não vê, neste momento, sinais de redução da área brasileira de soja na safra 2026/27. A carteira de pedidos de sementes de soja encerrou junho em R$ 1,467 bilhão, queda de 12% ante igual período do ano passado. A retração ocorreu apesar de a oferta de sementes de melhor qualidade estar mais restrita neste ciclo, após problemas climáticos reduzirem o aproveitamento de campos de produção. Segundo o CEO da Boa Safra, Marino Colpo, o atraso começou nas compras de fertilizantes, tradicionalmente contratados antes das sementes, e acabou se espalhando pelos demais insumos. O executivo citou a escassez de crédito e a alta dos custos de fertilizantes e fretes como fatores que levaram os produtores a esperar mais antes de fechar negócios. "Isso gerou um grande atraso de comercialização no setor de fertilizantes, que empurrou o de sementes", afirmou Colpo. Apesar da demora, o CEO disse que a Boa Safra vem comercializando sementes em ritmo ligeiramente superior à média observada no mercado e ainda vê demanda para ser fechada ao longo do terceiro trimestre. "A gente tem essa diferença para fechar no terceiro trimestre. Há muito trabalho a fazer e muita venda a fazer, mas ainda tem um mercado para acontecer", disse. "Eu não acho que o produtor vai deixar de plantar." Colpo afirmou esperar uma área plantada semelhante à do ciclo anterior e disse não enxergar motivo, neste momento, para uma sobra maior de sementes ao fim da comercialização. O CFO da companhia, Felipe Marques, acrescentou que a piora da relação de troca também levou os produtores a postergar decisões. Segundo ele, a recuperação recente das cotações da soja em algumas regiões começa a melhorar esse quadro. "A relação de troca ficou muito ruim para o produtor, então ele adiou também a tomada de decisão", afirmou. Marques disse que o preço da soja já havia se recuperado entre 10% e 15% em algumas regiões em relação às mínimas recentes, favorecendo a volta dos produtores às compras. A Boa Safra não vê falta generalizada de sementes no País, mas avalia que a oferta de produto de maior qualidade está mais apertada. "Eu não acredito em falta de semente, o que eu acho é que semente de qualidade está em falta", disse Colpo. Segundo ele, as análises iniciais da produção da companhia apontam para o melhor padrão de qualidade já obtido pela empresa. A cautela dos produtores nas compras ocorre em meio a uma deterioração mais ampla das condições de crédito no agronegócio, que também aparece na carteira da própria Boa Safra. A provisão para perdas esperadas encerrou junho em R$ 30 milhões, alta de 86% ante os R$ 16 milhões registrados um ano antes. O contas a receber líquido aumentou 80%, de R$ 118 milhões para R$ 213 milhões. Marques afirmou que a empresa adota critérios conservadores e provisiona clientes assim que identifica aumento relevante de risco. Os dez maiores casos correspondem a aproximadamente 72% da provisão, mas nenhum cliente individual supera R$ 4 milhões, segundo o CFO. Parte dos valores já foi recebida desde o fechamento do trimestre, em 30 de junho. "A gente é muito rigoroso aqui na nossa política de crédito", afirmou Marques. "Se a gente acha que tem um risco um pouco mais alto, a gente já coloca como PDD mesmo." Colpo reconheceu que a inadimplência está acima do padrão histórico da Boa Safra, embora, segundo ele, permaneça abaixo da observada no setor. "Se não fosse a inadimplência o resultado teria sido melhor, bem melhor", afirmou. "A nossa inadimplência histórica está mais alta que a histórica, apesar de a gente estar abaixo do setor." A companhia considera a pulverização da carteira um fator de proteção contra perdas maiores e afirma que continuará conservadora na concessão de crédito durante o período de maior faturamento, no segundo semestre.