Bolsas de NY devem abrir em queda após Trump dizer que cessar-fogo EUA-Irã "acabou"

Às 10h04 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones caía 0,91%, o S&P 500 recuava 0,55% e o Nasdaq tinha perda de 0,71%

08/07/2026 às 10:41 atualizado por Karla Spotorno - Estadão
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As bolsas de Nova York devem abrir em queda nesta quarta-feira, 8, conforme sinalizam os índices futuros, após o presidente americano, Donald Trump, declarar que negociar com o governo iraniano é "uma perda de tempo" e que o "acordo provisório" de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã acabou. A escalada da tensão geopolítica pode deixar em segundo plano a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), prevista para hoje, às 15h (de Brasília).

 

Às 10h04 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones caía 0,91%, o S&P 500 recuava 0,55% e o Nasdaq tinha perda de 0,71%.

 

A retomada dos ataques dos EUA contra o Irã no fim da noite de terça (7) reverteu o tom positivo dos mercados financeiros e a esperança de normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz. Com isso, bolsas na Europa e metais como ouro, prata e cobre recuam, enquanto os rendimentos dos Treasuries e o dólar sobem.

 

O petróleo WTI avançava cerca de 5% no horário acima. A commodity desacelerou o ritmo observado mais cedo, quando chegou a saltar quase 7%, a US$ 75,30 por barril. O arrefecimento coincidiu com novas declarações de Trump na cúpula da Otan, na Turquia: ao lado de líderes de outros países-membros da organização, o presidente americano evitou repetir os ataques verbais contra Teerã, segundo fonte da Reuters.

 

No pré-mercado de Nova York, ações do setor de tecnologia ampliam as perdas observadas na terça, em meio à decepção de investidores com as projeções da sul-coreana Samsung Electronics. Micron (-1,8%), Marvell (-1,8%), Intel (-1,5%) e AMD (-1,4%) operavam em baixa antes da abertura. Na outra ponta, Chevron e ExxonMobil avançavam 1,6% e 1,2%, respectivamente, acompanhando a alta dos preços do petróleo.

 

Entre os destaques da agenda corporativa, a Levi Strauss (+0,2%) divulga seu balanço do segundo trimestre após o fechamento dos mercados, enquanto a Costco (+0,8%) publica as vendas de junho.

 

Além da ata do Fed, a agenda econômica internacional traz o relatório de Perspectivas Econômicas Globais (WEO, na sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (FMI). O Fundo reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global em 2026, de 3,1% (estimativa de abril) para 3%, segundo a atualização. A previsão para 2027, por sua vez, foi elevada de 3,2% (abril) para 3,4% no relatório de julho. O dinamismo segue abaixo da média de 3,5% observada em 2024-2025, afirmou o FMI.

 

Para o Brasil, o FMI aumentou novamente a estimativa de crescimento do PIB em 2026, elevando-a para 2,4%. Em abril, já havia revisado a projeção em 0,3 ponto porcentual, para 1,9%. Mesmo antes da deterioração do cenário para a guerra com o Irã nas últimas horas, o FMI já havia apontado que o maior risco para as previsões é o conflito no Oriente Médio.