'Brigar com o governo nunca é bom', diz Alexandre Baldy, vice da BYD

22/06/2026 às 16:25 atualizado por Eduardo Laguna - Estadão
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O vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, disse nesta segunda-feira, 22, que "brigar com o governo nunca é bom", após a direção da Anfavea, entidade que representa as montadoras tradicionais, ameaçar ir à Justiça pelo fim de benefícios à importação de automóveis.

"Eu não posso comentar decisão da entidade, uma entidade histórica, respeitada, fazendo 70 anos. Eu quero dizer que brigar com o governo nunca é bom. Então, nós respeitamos o governo, respeitamos o Brasil, cumprimos a nossa parte desse compromisso com o Brasil, com o brasileiro, investindo, gerando emprego para brasileiros, gerando emprego para os baianos, trazendo investidor estrangeiro", disse Baldy, ao ser questionado sobre as declarações dadas, pela manhã, pelo presidente da Anfavea, Igor Calvet.

As cotas de importação de carros híbridos e elétricos voltaram a gerar atrito entre as partes, dada a possibilidade de a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidir nesta terça-feira, se autoriza a renovação do benefício. Nesta segunda, em entrevista a jornalistas, Calvet disse que recebeu a informação, ainda não confirmada pelo governo, de que o Comitê de Alterações Tarifárias (CAT) recomendou a volta das cotas durante a reunião extraordinária, realizada na sexta-feira, que antecede o encontro da Camex.

Apontando risco aos investimentos de R$ 140 bilhões anunciados pelas montadoras, a direção da Anfavea disse que considera ir à Justiça em caso de retorno das cotas, que valeram por seis meses até janeiro. O benefício permitiu que a BYD trouxesse, com alíquota zero do imposto de importação, carros parcialmente montados da China. A produção é finalizada na fábrica da marca chinesa em Camaçari, na Bahia.

Durante celebração da marca de 300 mil veículos vendidos pela BYD no Brasil, Baldy reiterou que os benefícios para a importação de carros foram pactuados com o governo federal para viabilizar os investimentos em Camaçari. A montadora defende que a isenção é necessária durante a transição até um sistema de produção mais completo, com maior índice de conteúdo nacional.

"A BYD só requisitou ao governo aquilo que foi o compromisso para com a BYD para a realização dos investimentos da nossa fábrica na Bahia", afirmou o vice da montadora chinesa. "Essa cota que foi concedida no ano passado não foi só da BYD, foi uma cota que atendeu a várias empresas que investem no Brasil", acrescentou.