Conab: safra 2026 de café pode ser recorde de 66,70 milhões de sacas
São Paulo, 21 - A produção brasileira de café deve alcançar recorde de 66,7 milhões de sacas de 60 kg em 2026, o que corresponde a um crescimento de 18% em comparação com o ano passado (56,54 milhões de sacas). Os números fazem parte do segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira, 21. Em comparação com a pesquisa anterior, de fevereiro de 2026, quando a previsão era de 66,19 milhões de sacas, houve leve aumento de 0,8%, ou 510 mil sacas.
Caso o resultado recorde se confirme ao final do ciclo, a Conab destaca que o volume colhido vai superar em 5,74% o recorde anterior, de 2020, quando foram colhidas 63,08 milhões de sacas. A área total destinada à cafeicultura deverá registrar um aumento de 3,9%, atingindo 2,34 milhões de hectares, dos quais 1,94 milhão de hectares em produção e 401,7 mil hectares em formação. A produtividade média nacional das lavouras deve apresentar recuperação de 13%, sendo prevista em 34,4 sacas por hectare.
Para o arábica, a Conab prevê uma produção de 45,77 milhões de sacas, aumento expressivo de 28% sobre o ano anterior (35,76 milhões de sacas) e a terceira maior registrada na série histórica, atrás apenas dos resultados obtidos em 2020 e 2018. "A alta é explicada pelos efeitos positivos do atual ciclo de bienalidade, o que influencia na maior área destinada à produção, aliada às condições climáticas favoráveis", disse a estatal em boletim.
No caso do conilon, a expectativa é que sejam colhidas 20,93 milhões de sacas, o que representa uma alta de 0,8% sobre a safra anterior (20,77 milhões de sacas). O crescimento é influenciado pela maior área em produção, projetada em 388,22 mil hectares, o que compensa a queda de 3,5% no desempenho médio nacional das lavouras de conilon, estimada em 53,9 sacas por hectare.
Produção nos Estados
Apenas em Minas Gerais, principal produtor de café no País e Estado que registra a maior área destinada para o arábica, a produção é estimada em 33,4 milhões de sacas, somadas as duas espécies, o que representa um aumento de 29,8% em comparação com o volume total produzido na safra anterior. Segundo a Conab, o bom resultado é justificado pelo ciclo de bienalidade positiva aliada à melhor distribuição das chuvas, principalmente, nos meses precedentes à floração, além do clima favorável até março, o que proporcionou uma boa granação, fatores que contribuem para uma boa produtividade.
A Conab também prevê alta na produção nos principais Estados produtores de café. No Espírito Santo, segundo maior produtor do grão, a estimativa é de uma alta de 3% na produção, podendo alcançar 18 milhões de sacas. "O resultado positivo é justificado pelo ciclo de alta bienalidade nas lavouras da espécie arábica, que apresentam um crescimento de 27,9% na produtividade, com a produção prevista em 4,4 milhões de sacas." Já as lavouras de conilon, devem registrar uma colheita de 13,6 milhões de sacas, redução de 4,2%, em relação ao ano anterior. Conforme a Conab, essa queda é explicada pelo elevado desempenho registrado em 2025, situação que limitou o potencial produtivo para a atual temporada. Além disso, as temperaturas registradas ao longo do ciclo produtivo do conilon no Estado capixaba estiveram abaixo da média, o que também afeta a fisiologia da planta refletindo no desempenho apresentado. Ainda assim, a atual produtividade estimada pela estatal é a segunda maior da série histórica verificada no Espírito Santo.
Na Bahia, a regularidade climática, o maior investimento dos produtores em manejo e a entrada de novas áreas em produção refletem em um crescimento na safra de 5,9%, com expectativa de uma colheita total de 4,7 milhões de sacas, das quais 1,2 milhão de sacas de arábica e 3,5 milhões de sacas de conilon.
Já em São Paulo, Estado onde o cultivo é exclusivo de arábica, é esperado um aumento de 24,6% na produção, estimada em 5,9 milhões de sacas. No caso de Rondônia, a produção é exclusiva de conilon, e a safra prevista é de 2,8 milhões de sacas, elevação de 19,4% em comparação com o volume obtido na safra passada. A renovação do material genético por plantas clonais mais produtivas, que vem ocorrendo nas últimas safras, aliada às condições climáticas favoráveis desde o início do ciclo, justificam o acréscimo observado.



