Ibovespa cai após 3 sessões de ganhos, pressionado por Petrobras e Vale

24/06/2026 às 17:52 atualizado por Caroline Aragaki - Estadão
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Os sinais de normalização do fluxo no Estreito de Ormuz balizaram um tombo de quase 4% do petróleo, enquanto a perspectiva de alta do dólar e dos juros nos Estados Unidos pressionou o valor de metais básicos - com exceção do minério de ferro. Como resultado, sem a força de Petrobras e Vale, o Ibovespa cedeu 0,44%, aos 170.506,66 pontos após três sessões consecutivas de alta. Houve também realização na maioria dos papéis de bancos.

Como contraponto, o fechamento da curva de juros fez papéis cíclicos e de menor capitalização serem destaque de alta. Amanhã os investidores devem acompanhar o Relatório de Política Monetária (RPM) e a divulgação do índice de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) para buscar novos sinais sobre os próximos passos do Copom e do Federal Reserve.

Com giro financeiro de R$ 27,05 bilhões, o Ibovespa teve pressão da queda de Petrobras (-2,68% ON e 2,64% PN), Vale (-2,08%) e bancos, como Bradesco ON (-1,03%) e Santander Brasil Unit (-1,38%). Na máxima pela manhã, o índice chegou aos 171.342,05 pontos (+0,05%) e na mínima, aos 169.668,34 pontos (-0,55%). Assim, dilui a alta semanal para 1,29% e a do ano a 5,82%, enquanto recua 1,89% em junho.

"Petrobras e Vale respondem por quase um quarto do Ibovespa, e grande parte das commodities mostra queda relevante hoje [quarta-feira, 24]", destaca o estrategista de ações da Nomos, Max Bohm, para justificar o recuo do Ibovespa, apesar da baixa dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs)no dia.

O petróleo caiu pelo terceiro pregão consecutivo e o Brent para setembro fechou em baixa de 3,81%, a US$ 73,87 por barril. O WTI para agosto, por sua vez, chegou a operar abaixo do nível de US$ 70 na mínima intradia, diante de sinais de normalização do fluxo no Estreito de Ormuz e avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã após a assinatura do memorando de entendimento.

"A queda do Ibovespa hoje [quarta-feira, 24] se dá fundamentalmente pelo petróleo, com fluxos em Ormuz voltando a se normalizar. Dificilmente o petróleo volta para patamares de US$ 60 por barril do pré-guerra, pois tivemos danos diretos de infraestrutura e o prêmio de risco geopolítico ainda está resiliente, mas esse nível entre US$ 70 e US$ 75 nos parece um patamar certo, o que acaba puxando Petrobras para baixo e, consequentemente, o índice", comenta o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos.

Já o minério de ferro até chegou a subir 0,74% em Dalian, para US$ 109,56 por tonelada, mas Bohm nota que esta quarta é um dia mais negativo para siderúrgicas e mineradoras globalmente. "Investidores estão saindo desses setores hoje [quarta-feira, 24], e Vale acaba se prejudicando também. A companhia também tem geração de caixa amparada em cobre, níquel e ouro, que recuam", lembra.

A própria Vale anunciou guidance neste mês que espera que a subsidiária Vale Base Metals traga uma contribuição de 28% para o Ebitda consolidado da companhia em 2026. Nesta quarta, cobre, níquel e ouro recuaram cerca de 3%, pressionados pela valorização global do dólar, com a expectativa de juros dos EUA mais elevados.

Na contramão, ações cíclicas como C&A (+8,87%), Cyrela (+4,17%), Assaí (+4,16%), e Vivara (+3,52%) lideraram o campo azul do Ibovespa. "Hoje [quarta-feira, 24] os juros futuros estão fechando e os cíclicos domésticos estão performando bem, tanto que o índice de Small Caps avança. Ainda assim, a participação maior no índice vem de commodities", pondera Bohm, da Nomos.

Para Arbetman, da Ativa, também vale a ressalva de que por mais que o DI esteja um pouco mais calmo, a ponta longa continua com uma taxa acima de 14%, ou seja, a nível ainda elevado.

O estrategista de ações da Nomos nota, porém, que o Ibovespa a um múltiplo de Preço por Lucro de 8,3 vezes está mais descontado do que a média geral de 15,9 vezes e de emergentes, de 11,9 vezes. Comparativamente falando, a Bolsa brasileira está mais barata do que as dos EUA, Europa, Coreia do Sul, México, Japão, Índia, Argentina e Colômbia, acrescenta. "Nossa bolsa está barata, e o investidor tende a buscar exposição à commodities, com o Brasil sendo uma proxy disso. Essa combinação de fatores pode fazer o fluxo estrangeiro voltar, por mais que a Selic pare em um nível de 14% ao ano, mas dizer que o Ibovespa fechará a 200 mil pontos em 2026 é dependente do que acontecerá com as eleições", pondera.