Condições financeiras da indústria da construção se mantêm negativas no 2º trimestre, diz CNI

23/07/2026 às 11:17 atualizado por Mateus Maia - Estadão
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta quinta-feira, 23, que as condições financeiras da indústria da construção se mantiveram negativas no segundo trimestre do ano. Os dados são da Sondagem Indústria da Construção, da entidade em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Segundo o levantamento, o índice de satisfação com a situação financeira avançou 0,2 ponto em relação ao primeiro trimestre, chegando aos 45,2 pontos, em uma escala que vai de 0 a 100. O índice de satisfação com o lucro operacional, subiu 0,4 ponto e alcançou 41,7 pontos.

Os 50 pontos marcam a linha divisória entre satisfação e insatisfação nesse índice. Quanto mais próximo do 100, mais satisfeito, e quanto mais perto do zero, o contrário.

Já o índice de evolução do preço médio de insumos e matérias-primas recuou 2,2 pontos, caindo para 66,2 pontos. O resultado mostra que os empresários continuam sentindo o encarecimento desses itens, ainda que de forma menos intensa e disseminada do que no primeiro trimestre.

"O setor tem sido bastante pressionado não só pelas taxas de juros, que encarecem as dívidas das empresas, mas também por uma elevação consistente dos custos, tanto da mão de obra qualificada e não qualificada como dos insumos e matérias-primas, problema que se agravou com a guerra no Oriente Médio", afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

O desempenho do setor recuou em junho. O índice que mede a evolução do nível de atividade da indústria da construção caiu 1,9 ponto, de 49,1 para 47,2 pontos. Já o indicador que mede a evolução do número de empregados registrou queda de 0,6 ponto, passando de 48,5 para 47,9 pontos. Apesar dos resultados, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) manteve-se em 67%, mesmo patamar observado em junho do ano passado. Desde o início de 2026, a UCI acumula crescimento de três pontos porcentuais.

Preocupações

Os juros elevados seguiram no topo do ranking de principais problemas enfrentados pela indústria da construção. No segundo trimestre, o entrave foi assinalado por 36,2% dos empresários do setor, um aumento em relação aos 34,9% registrados no primeiro trimestre.

A preocupação com a carga tributária caiu de 33,9% para 33,6%, mas segue na segunda posição dos maiores obstáculos, seguida pela falta ou alto custo da mão de obra não qualificada, apontada por 28,9% dos empresários, ante 26,7% no trimestre anterior.

Fecham a lista dos cinco principais problemas enfrentados pelas empresas a falta ou alto custo de trabalhador qualificado (28,6%) e a demanda interna insuficiente (17,3%).