Dólar tem leve alta e vai a R$ 5,02 em dia de ajustes

08/10/2026 às 17:49 atualizado por Antonio Perez - Estadão
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Após rondar a estabilidade ao longo da tarde desta quinta-feira, 8, o dólar à vista ganhou força na última hora de negócios e terminou o dia em leve alta, na contramão da tendência de baixa da moeda norte-americana no exterior e do recuo das taxas dos Treasuries. Entre os pares do real, apenas o peso mexicano se depreciou, com perdas superiores a 1%.

Com máxima de R$ 5,0269, o dólar à vista avançou 0,26%, a R$ 5,0241 - acima do nível de R$ 5,00 pelo segundo pregão consecutivo. A divisa ainda recua 3,69% na semana, fruto, sobretudo, do tombo de 4,21% na última segunda-feira, auge da euforia com o resultado do primeiro turno da eleição presidencial. No ano, as perdas ainda são superiores a 8%.

Para o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, a taxa de câmbio passa por um período de acomodação, após o rali desencadeado pela queda dos prêmios de risco com a surpreendente dianteira do candidato Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. A vitória da oposição é vista como fundamental, pelo mercado financeiro, para mudança na política fiscal a partir de 2027.

"Pode ter ocorrido um ajuste fino nas posições neste fim de pregão que levou o dólar a subir um pouco", afirma Galhardo, ressaltando que a provável entrada de recursos nesta quinta para a bolsa e a renda fixa, com o megaleilão de prefixados realizado pelo Tesouro, não resultou em apreciação do real. "Temos visto o importador aproveitando esse dólar a R$ 5,00 para liquidar dívidas e pagar fornecedores, o que ajuda a equilibrar o câmbio."

Pela manhã, pesquisa PoderData/Aya mostrou o candidato do PL com 53% das intenções de voto, contra 47% do petista. A expectativa ficou sendo a sondagem do Datafolha, no período da noite, uma vez que o instituto trouxe Lula à frente de Flávio em seus levantamentos ao longo do primeiro turno.

O UBS vê o momento atual como propício à formação de posição "comprada" em real em relação ao dólar, com alvo de R$ 4,75. O ponto de 'stop loss' (ordem para limitação das perdas) é de R$ 5,11.

"Esperamos que o real se beneficie do aumento das chances de um resultado favorável a políticas pró-mercado nas eleições, o que pode levar a uma reavaliação dos ativos brasileiros", afirma o UBS, em relatório assinado por três analistas, entre eles o diretor de investimentos do UBS Wealth Management no Brasil, Ronaldo Patah. "Além disso, o real continua a se beneficiar do carry e da melhora dos termos de troca com o aumento dos preços de energia."

Entre os riscos para o posicionamento a favor do real estariam, segundo o banco, um desfecho da corrida presidencial desfavorável "ao mercado", uma piora do apetite ao risco no exterior e um aumento ainda maior das taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos.

Apesar da nova rodada de alta do petróleo, com o contrato do Brent para novembro subindo 4,07%, a US$ 104,28, em meio a ataques no Oriente Médio, as taxas dos Treasuries longos recuaram na esteira de leilão bem-sucedido de papéis de 30 anos.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas, o índice DXY cai 0,15% perto do fim da tarde, aos 102,082 pontos, após mínima aos 102,033 pontos. O Dollar Index sobe mais de 0,60% neste início de outubro e tem alta superior a 3,80% no ano.