'É o maior exemplo de resiliência do setor', afirma presidente da Agrishow sobre a feira

26/04/2026 às 13:01 atualizado por Tânia Rabello e Francisco Carlos de Assis - Estadão
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O presidente da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), o empresário João Carlos Marchesan, disse que a feira, que está na sua 31ª edição, é o maior exemplo de resiliência do setor. A agrishow 2026 se dá em um momento de dificuldades para a cadeia do agro, onde as empresas do setor, do produtor à indústria têm liderado as estatísticas das recuperações judiciais.

A feira, cuja abertura ao público será feita amanhã, se estende por uma área de 520 mil metros quadrados, o equivalente a 21 alqueires paulista, com mais de 800 marcas expositoras nacionais e internacionais, e a expectativa é de receber cerca de 197 mil visitantes do Brasil e do exterior, segundo os organizadores do evento.

"Esta feira é o maior exemplo de resiliência do setor", disse Marchesan ao citar a expectativa de produção de 365 milhões de toneladas de grãos este ano.

Marchesan, que também ocupa o cargo de primeiro vice-presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), explicou que a previsão de safra para este ano se dá em um cenário em que o Produto Interno Bruto (PIB) agregado do País deve crescer 1,9% e uma taxa de juro básico que deve fechar 2026 em 12,5% ao ano.

"Nossa projeção atual considera o cenário econômico vigente. Estamos projetando um crescimento ligeiramente superior ao consenso do mercado, impulsionado por diversos fatores positivos, como os incentivos fiscais, o aumento da renda disponível, novas linhas de crédito e o desempenho favorável do mercado de trabalho e das exportações. Além disso, o cenário do petróleo, em particular, favorece a balança comercial.

No entanto, o investimento deve apresentar um desempenho fraco este ano, em parte devido aos custos elevados do capital e também ao período eleitoral, que naturalmente gera alguma incerteza", ponderou.

De acordo com ele, a expectativa é que, com a posse do novo governo, haja anúncios de novas políticas, o que pode impactar as perspectivas econômicas.

"A projeção de 1,9% reflete o efeito da política monetária, que se manifesta por meio da taxa de juros. O primeiro trimestre apresentou um crescimento mais robusto, mas os dados subsequentes, especialmente os do segundo trimestre, já indicaram um cenário de desaceleração, como resultado das medidas de controle da inflação. O BC, ao manter a taxa de juros, reconheceu o impacto da política monetária, mesmo considerando outros fatores, como a questão fiscal", disse.

Além disso, de acordo com o empresário, o cenário externo não tem sido favorável à redução das taxas de juros. "Atualmente, a expectativa é que a taxa de juros termine o ano em 12,5%, mas é difícil fazer uma projeção definitiva neste momento.

Acreditamos que o BC poderá reduzir a taxa na próxima reunião, embora essa redução possa ser de 0,25 ponto porcentual, dependendo da evolução do cenário econômico. O BC está, portanto, em um processo de calibração da taxa de juros, e há opiniões divergentes sobre a margem de manobra existente", avaliou o presidente da Agrishow.

Para ele, apesar da taxa ainda ser alta, o câmbio tem ajudado, com uma valorização de aproximadamente 10%. Contudo, essa valorização não é suficiente para compensar totalmente o aumento dos preços do petróleo, que subiram significativamente, afetando o cenário econômico geral.

O presidente da Agrishow reconheceu que há atualmente uma crise atual do setor, com alto nível de endividamento, preços baixos de grãos, guerra no Irã, que afeta principalmente preços e fornecimento de insumos, como combustíveis e fertilizantes.

"Olhamos para os números e não vemos apenas desafios; os custos de produção pressionam a paz, trazem um cenário injusto, que exige uma gestão cada vez mais cirúrgica", disse Marchedan em discurso de abertura da 31ª edição da Agrishou, em Ribeirão Preto.

Marchesan, que também é primeiro-vice-presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), disse que a feira já passou por outras crises, por mudanças econômicas e transformações tecnológicas profundas. "Mas o agronegócio nunca parou, pelo contrário, ele se reinventou", assinalou.

Ele ressaltou, porém, que o agronegócio, é por natureza "um setor de ciclos". "Seus números (atuais) nos alertam; nossa história nos encoraja."

Ele lembrou da atual safra de grãos, referente ao ciclo 2025/26, que deve alcançar cerca de 356 milhões de toneladas, ainda um recorde. "É um valor histórico", reforçou ele, acrescentando que uma safra deste tamanho é a capacidade do setor de "fazer mais com menos, de investir em tecnologia, e a Agrishow é a prova viva dessa reação".

Desta forma, para Marchesan, a resposta para as preocupações econômicas de hoje está "na eficiência". "Por isso, para esta edição da Agrishow, meu convite é para olharmos além dos números das transações comerciais", disse. "Fica aqui o meu convite para transformarmos a cautela em estratégia."

Ao contrário de outras edições da Agrishow, em entrevista coletiva no início de abril, Marchesan preferiu não abrir perspectivas de faturamento. A edição passada da feira movimentou o recorde de R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios e transações, alta de 7% sobre os R$ 13,6 bilhões de 2024. A feira, que será aberta ao público amanhã e prossegue até 1º de maio, deve receber 197 mil visitantes, que visitarão 800 marcas expositoras.

Ao se referir ao novo Plano Safra, que começa em 1º de julho, o presidente da Agroshow cobrou a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiavelli, sobre políticas voltadas ao agricultor familiar. Ele se dirigiu aos representantes do governo na crítica aos juros altos para o grande produtor. "Fortalecer o agricultor familiar no novo Plano Safra é importante", disse, emendando que o grande produtor também está sofrendo com juros altos, mas que o agro é maior que qualquer crise passageira.