El Niño muito forte pode limitar plantio no Centro-Oeste e aumentar chuva no Sul

06/10/2026 às 19:19 atualizado por Gabriel Azevedo - Estadão
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São Paulo, 06 - A perspectiva de um El Niño de intensidade muito forte entre outubro e dezembro aumenta o risco de baixa umidade para a implantação das lavouras em partes do Centro-Oeste e do Matopiba, enquanto o Sul pode registrar excesso de chuva, com maior pressão de doenças, avaliou o assessor de agronegócios do Banco do Brasil em Canoinhas (SC), Alexandre Stadser, em transmissão do BBCast Agro nesta terça-feira, 6. A análise trata das condições climáticas para a safra de verão 2026/27. Stadser citou o Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e por outras seis instituições federais. Segundo ele, o documento aponta 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, o que poderia torná-lo o mais intenso desde 1950, e prevê persistência até o início de 2027. O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, que altera padrões de chuva e temperatura no Brasil. O boletim alerta para intensificação da seca e do risco de fogo no centro-norte do País. A configuração tende a favorecer chuvas acima da média no Sul e em partes do Sudeste e abaixo da média no Norte, no Nordeste e em grande parte do Centro-Oeste. As temperaturas devem ficar acima da média na maior parte do País, com maior destaque para Centro-Oeste e Sudeste. Para outubro, a previsão indica chuva acima do normal no Sul, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no sudeste de Minas Gerais, e abaixo do normal em áreas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste. No Centro-Oeste, as chuvas devem ser irregulares, o que pode afetar o avanço da semeadura. "Mato Grosso do Sul apresenta perspectivas mais favoráveis para o início da safra, enquanto Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal podem enfrentar limitações para a semeadura por baixa umidade do solo", afirmou Stadser. O quadro também exige atenção no Matopiba, que reúne áreas agrícolas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. "O cenário de precipitações abaixo da média exige atenção para o estabelecimento das lavouras de verão, principalmente no Matopiba. A menor disponibilidade hídrica poderá elevar a necessidade de irrigação e aumentar a pressão sobre os recursos hídricos", disse. No Sudeste, São Paulo tende a ter condições mais favoráveis ao desenvolvimento inicial das lavouras com o aumento das chuvas. Minas Gerais e Espírito Santo, segundo Stadser, exigem maior atenção devido à irregularidade das precipitações e às temperaturas elevadas. No Sul, o assessor destacou benefícios e riscos do excesso de chuva. "Na região Sul, a expectativa é de chuvas acima da média, beneficiando a reposição hídrica das lavouras e pastagens. Entretanto, o excesso de umidade pode elevar o risco de doenças fúngicas, dificultar operações de campo e manter a atenção para cheias localizadas", afirmou. No Norte, a combinação de chuva reduzida e calor mais intenso tende a elevar a demanda hídrica das culturas e a limitar a umidade disponível no solo. O tempo mais seco, por outro lado, pode favorecer operações de campo e colheita.