Estudo do IBP revela a importância de hidrovias na região Norte do País

21/08/2026 às 14:30 atualizado por João Caires - Estadão
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Brasília, 21 - O adiamento da concessão de hidrovias da região Norte do Brasil pode resultar na inclusão de mais de 20 mil caminhões no tráfego de carga nas rodovias nacionais em um cenário extremo, segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). A entidade avalia que o avanço de discussões específicas sobre questões ambientais e sociais, embora legítimas, tem dificultado a implementação de projetos estruturantes de infraestrutura. Para o instituto, o País precisa evitar que "micropolíticas" se sobreponham a uma "macropolítica" de desenvolvimento logístico capaz de ampliar a integração entre rodovias, hidrovias, ferrovias e dutos. "A falta da dragagem de manutenção acabará forçando o escoamento dessa carga por rodovias. Num cenário extremo, cerca de 22 mil caminhões por ano em rodovias já precárias (...). Não se pode deixar que a macropolítica seja engolida pelas micropolíticas", afirmou o diretor de downstream do IBP, Carlos Orlando, ao Broadcast. A falta da concessão das vias navegáveis ameaça paralisar o transporte de cargas no Rio Tapajós, por onde passam anualmente 1,36 milhão de metros cúbicos de combustíveis, direcionados para 17 municípios dos Estados do Pará e Mato Grosso - cerca de 7,5 milhões de habitantes -, segundo a associação. O instituto argumenta que os impactos vão além do escoamento de grãos e atingem diretamente o abastecimento regional. A hidrovia é utilizada também para o transporte de combustíveis, alimentos, medicamentos e outros insumos essenciais, além de representar uma alternativa logística de menor emissão de carbono em comparação ao transporte rodoviário de longas distâncias. Na avaliação da entidade, a redução da navegabilidade do Tapajós pode elevar os custos de distribuição de combustíveis e aumentar a pressão sobre portos e rodovias já congestionados nas regiões Sul e Sudeste. O instituto também alerta que a perspectiva de novos eventos climáticos extremos e períodos de seca reforça a necessidade de investimentos em dragagem e manutenção das hidrovias para garantir previsibilidade logística e segurança no abastecimento. O IBP afirma ainda que a hidrovia é estratégica para a logística de biocombustíveis na região. Segundo a gerente de refino, suprimento e logística do instituto, Carla Imbroisi, os fluxos no Tapajós incluem tanto derivados de petróleo quanto biocombustíveis que seguem para bases de distribuição onde são realizadas as misturas obrigatórias. "A gente ainda tem um outro efeito. O Tapajós é uma rota essencial para o transporte de derivados e biocombustíveis que abastecem mais de 20 municípios da região Norte e do Centro-Oeste. Todo esse mercado de transição também sai prejudicado", diz Carla. A interrupção ou restrição da navegação aumentaria os custos de transporte desses produtos e poderia afetar o abastecimento de mercados como Manaus, Macapá, Itacoatiara e Santarém, além de municípios do sudoeste do Pará e do norte de Mato Grosso.