FMI: Portugal pode ter impacto inflacionário da energia agravado por entrada de fundos da UE
O Fundo Monetário Internacional avalia que, em 2026, a entrada significativa de fundos da União Europeia (UE) poderá agravar o impacto inflacionário da subida dos preços da energia e poderá exigir um aperto da política fiscal em Portugal.
Em análise após check-up das condições da economia portuguesa, o conselho executivo do FMI avaliou que, embora volátil, a inflação está próxima da meta atualmente em um contexto em que o desempenho econômico do país europeu tem sido sólido. A solidez econômica é ajudada por fortes fluxos turísticos, que contribuíram para um excedente na balança corrente mesmo diante da fraca demanda externa.
O staff do FMI enfatizou ainda que o orçamento registrou um excedente pelo terceiro ano consecutivo em 2025, reduzindo a dívida pública para pouco menos de 90% do PIB, uma redução impressionante em relação ao pico de 134% do PIB em 2020", diz o fundo em documento divulgado nesta quarta-feira.
Em relação às medidas em resposta ao aumento dos preços de energia, o FMI sugere que a redução do imposto especial de consumo sobre combustíveis, implementada em resposta ao choque energético, deve ser substituída por apoio direcionado às famílias de baixos rendimentos e às empresas viáveis que estiverem em dificuldades em setores de uso intensivo de energia.
Outras recomendações do staff incluem a necessidade de incentivos para adoção de novas medidas de poupança para atingir as metas de médio prazo, incluindo a redução das despesas fiscais, o aumento da eficiência das despesas e uma maior reforma do sistema de pensões.
Na visão do FMI, o setor bancário português mostra resiliência diante de condições macrofinanceiras adversas severas. Contudo, os diretores do fundo enfatizaram a importância de preservar a estabilidade e a resiliência do setor financeiro por meio do fortalecimento do arcabouço de política financeira.
Os diretores ressaltam a necessidade de vigilância em relação aos riscos do mercado imobiliário e à exposição soberana. Também enfatizaram que a redução dos desequilíbrios no mercado imobiliário exigirá medidas do lado da oferta, ao mesmo tempo de reversões das medidas de apoio à demanda mal direcionadas.



