Governo do DF tentará empréstimo para socorrer BRB com resultados parciais das contas de 2026

07/08/2026 às 13:35 atualizado por Daniel Weterman - Estadão
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O governo do Distrito Federal apresentará resultados parciais das contas de 2026 para convencer a União e bancos de que consegue pagar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões que está buscando para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master no Banco de Brasília (BRB). Como o Estadão revelou na quinta-feira, 6, o Distrito Federal saiu de um déficit de R$ 926,5 milhões nas contas em 2025 para um superávit de R$ 1,7 bilhão no primeiro semestre do ano. Os números foram apresentados em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 7.

No próximo dia 13, haverá uma reunião no Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir o acordo fechado entre a administração distrital e a União para socorrer o BRB.

A estratégia do Distrito Federal é dizer que está em condições financeiras para contrair e pagar o financiamento mesmo com avaliação negativa por parte do Tesouro Nacional.

Pelos números da Secretaria de Economia, o Distrito Federal tinha projeção de um déficit de R$ 6 bilhões nas contas em 2026 e fechará o ano com um superávit de R$ 3 bilhões.

Segundo o secretário Valdivino de Oliveira, é possível chegar a um superávit de R$ 6 bilhões, o que demonstra a capacidade de pagamento de um empréstimo para salvar o BRB.

"Se o governo trabalhar com seriedade, num exercício só ele é capaz de gerar um superávit de mais de 70% ou 80% da operação (de empréstimo do BRB)", afirmou o secretário.

O Distrito Federal está com uma nota de Capacidade de Pagamento (Capag) "C" no Tesouro Nacional, que impede aval da União para empréstimos.

Nos novos números da gestão distrital, as contas de 2026 até julho estão em condições de receber a nota "A", revertendo o quadro. "Nosso objetivo é fechar 2026 com A+", disse Oliveira.

O Tesouro Nacional deve divulgar as novas notas dos Estados e do Distrito Federal em outubro. Os números, porém, serão embasados em 2025, que são ruins para a administração distrital. Os números de 2026 servirão para a avaliação da Capag de 2027, a ser divulgada só no próximo ano.

A Capacidade de Pagamento parcial de 2026, porém, é suficiente para uma avaliação excepcional, segundo o governo do DF. "Para efeitos jurídicos, o Capag parcial serve", disse a governadora Celina Leão (PP).

O principal indicador revertido foi a poupança corrente, de acordo com a administração estatal. As despesas somaram 93,95% da receita em julho. Há dois anos e meio, os gastos estavam acima do limite de 95% imposto pela Constituição todos os meses.

"Nós assumimos um rombo de quase R$ 5 bilhões, gravíssimo, com atrasos de pagamento, e imediatamente fizemos um choque de gestão que custou da nossa parte, administrativa e política também, um esforço gigante para que as pessoas pudessem entender que havia uma nova gestão", disse a governadora.

O Distrito Federal pediu um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para socorrer o BRB, mas ainda não conseguiu finalizar a operação. Bancos privados, que entrariam como avalistas do financiamento, se recusam a conceder as garantias nas condições atuais oferecidas pela administração distrital.

O governo do DF recorreu ao STF e fechou um acordo com a União para conseguir o empréstimo, sem aval do Tesouro Nacional, mas com garantias de bancos públicos e privados.

O ministro Luiz Fux, do STF, marcou uma nova audiência de conciliação após o Distrito Federal alegar "inércia" da União e do FGC. Na quinta-feira, 6, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou "inércia" do governo federal e afirmou que o empréstimo não saiu até o momento por falta de um plano "crível" do BRB e da administração distrital.

O comentário de Durigan foi rebatido por Celina Leão, sem citar diretamente o ministro. "Diferente do governo federal, que está fazendo avaliações políticas, falas políticas, nós não vamos cometer esse erro", afirmou a governadora.