Ibovespa fecha em leve queda e marca 10ª sessão seguida de perdas

17/08/2026 às 18:13 atualizado por Juliana Machado - Estadão
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O Ibovespa tentou recuperar terreno no fim do pregão desta segunda-feira e fechou perto da estabilidade. A leve queda no dia, porém, levou o índice a marcar o 10º pregão seguido de perdas, pressionado pela forte saída de estrangeiros que marca o mês, pela decepção com os balanços das empresas no segundo trimestre e diante das dúvidas crescentes com as eleições.

Até o pico no ano (198.657,33 pontos), registrado em 10 de abril, o Ibovespa acumulava alta de 23,3%. No mesmo período, o EEM, maior ETF que reproduz o desempenho das ações de mercados emergentes, subiu 10,7%. Daquela data até agora, o principal índice da B3 acumula queda de 16%; o EEM avança 11,2%.

Aos motivos específicos de perdas da bolsa local se soma o ambiente internacional, marcado por uma persistente aversão ao risco com os conflitos entre EUA e Irã, que seguem sem solução e que mantêm o Estreito de Ormuz fechado. Com o escoamento do petróleo prejudicado, o barril segue em alta firme - as cotações da commodity encerraram em alta de quase 3% - e preocupa o mercado com o nível de inflação global.

"O fluxo de capital estrangeiro vem saindo pelo risco internacional, mas também olhando para a situação fiscal do País, com desconfiança com o governo como um todo", afirma Gustavo Harada, CIO da Blackbird Investimentos. "É uma conjuntura de fatores."

A pauta política é relevante em um momento em que os juros elevados seguem pressionando as condições financeiras das empresas, que tiveram um segundo trimestre de pouco brilho aos olhos do mercado.

"A percepção de risco do Brasil aumentou e isso faz o mercado exigir um prêmio maior para permanecer em ativos locais. Tivemos o pedido de recuperação judicial das Casas Bahia mostrando o quanto as empresas estão sofrendo com os juros altos", diz Fabio Louzada, economista, planejador financeiro e fundador da faculdade B7 Business School.

Os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de junho mostram uma economia em perda de força, o que pode contribuir com o ciclo de corte de juros pelo Banco Central. Mas, na avaliação de profissionais de mercado, os motivos se tornam mais importantes agora.

Isso porque, se a atividade enfraquece porque a política monetária está restritiva e conseguindo frear a demanda, o BC tem espaço para seguir no recalibramento. No entanto, se as expectativas de inflação seguem deterioradas e o ambiente fiscal segue incerto, o BC "fica limitado para responder à desaceleração", acrescenta Louzada.

"A bolsa talvez não caia muito mais do que já caiu, até porque o nível de desconto em relação à média dos últimos 10 anos volta a chamar a atenção. É mais de 25% de desconto em relação à média histórica", afirma um analista de uma grande corretora, na condição de anonimato.