Membro do Fed vê guerra com Irã elevando inflação e projeta índice em 2,75% em 2026 nos EUA
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Nova York, John Williams, afirmou que a guerra com o Irã deve pressionar a inflação nos Estados Unidos, com impacto tanto sobre a medida cheia quanto sobre a subjacente. Segundo ele, o conflito pode adicionar de um a dois décimos à inflação subjacente, enquanto a inflação geral tende a ser mais afetada, em um ambiente já pressionado por tarifas, que "continuam sendo parte importante" da dinâmica de preços.
Em entrevista à Bloomberg>, Williams disse esperar que a inflação fique em torno de 2,75% neste ano e ressaltou que a dinâmica da inflação subjacente "não mudou muito", permanecendo no centro das atenções do Fed.
Ainda assim, afirmou que a política monetária está "bem posicionada para esperar e ver o que acontece" e "exatamente onde precisa estar neste momento", indicando que a autoridade pode ajustar os juros caso o cenário se altere.
O dirigente projeta crescimento do PIB entre 2% e 2,5% em 2026, com taxa de desemprego relativamente estável. Ele descreveu o mercado de trabalho como "bastante complicado", marcado por baixo ritmo tanto de contratações quanto de demissões, o que, em sua avaliação, sugere um ambiente equilibrado, embora menos dinâmico. Williams destacou que o mercado de trabalho não está impulsionando a inflação, acrescentando que a remuneração cresce em linha com a produtividade, sem gerar pressões adicionais.
O membro do Fed também afirmou esperar desaceleração da inflação subjacente ao longo do ano, especialmente no fim de 2026. Ele ressaltou a resiliência da economia americana diante de choques recentes e destacou o papel positivo de avanços tecnológicos e de inteligência artificial (IA) para sustentar ganhos de produtividade. Segundo Williams, empresas têm conseguido se adaptar a um ambiente global mais incerto.
Por fim, disse que o Fed segue concentrado em suas atribuições, minimizando preocupações com questões de liderança, e avaliou que Kevin Warsh, que ainda precisa ser confirmado pelo Senado ao cargo de presidente da instituição, tem "forte compreensão" do funcionamento do banco central.



