Para Abras, escala de trabalho não pode ser resolvida 'em uma canetada' para todos os setores

23/04/2026 às 17:16 atualizado por Júlia Pestana - Estadão
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A discussão sobre mudanças na jornada de trabalho no Brasil não pode ser resolvida "em uma canetada" para todos os setores, afirmou o vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Marcio Milan. Segundo o executivo, cada segmento da economia tem especificidades operacionais que precisam ser consideradas em eventuais mudanças no modelo atual de escala.

"A discussão está sendo feita de forma acelerada, mas o impacto é grande e diferente para cada setor", disse Milan, em coletiva de imprensa.

De acordo com ele, o varejo alimentar já tem conduzido projetos piloto para avaliar a adoção de modelos alternativos, como a escala 5x2 com jornada de 40 horas semanais.

Milan ressaltou ainda que experiências internacionais mostram que mudanças na jornada foram implementadas ao longo de períodos mais longos e em contextos de maior produtividade.

Para ele, o debate no Brasil ainda carece de maior aprofundamento. "Esses países são mais produtivos que o Brasil", afirmou.

O executivo defendeu que eventuais mudanças sejam construídas por meio de negociação entre empresas e trabalhadores, e não apenas por meio de legislação.

Além disso, alertou que a redução da jornada pode elevar custos operacionais, com potencial de repasse ao consumidor final. O setor também já enfrenta desafios relacionados à escassez de mão de obra, o que pode dificultar a implementação de novos modelos.