Para presidente da FPA, governo federal 'despreza o produtor'
27/04/2026 às
13:09 atualizado por
Isadora Duarte, Tânia Rabello, enviada especial, Naomi Matsui e Geovani Bucci - Estadão
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Brasília e Ribeirão Preto, SP, 27 - O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), voltou a criticar as ações do governo federal para o agronegócio.
"Infelizmente, o que temos hoje é um governo federal que despreza o produtor, não aceita nosso sucesso, não aceita que alimentação do mundo inteiro depende de nós. Por isso, está na hora de mudar, de fazer um novo Brasil que pegue na mão do produtor e garanta o mínimo de previsibilidade na safra ", disse Lupion na Agrishow durante evento do governo de São Paulo na feira. "Essas inseguranças atuais fazem com que o crédito fique mais caro. Isso depende de nova política de seguro e de financiamento da safra, tudo isso depende do governo federal", defendeu.
O presidente da FPA afirmou que o setor agropecuário enfrenta um "momento difícil", citando a tempestade perfeita. "O impacto direto das guerras e da geopolítica está atingindo o agro brasileiro muito fortemente, sem contar com os problemas domésticos, com imprevisibilidade, falta de segurança jurídica, dificuldade de saber se amanhã teremos condição de entrar na nossa propriedade e de acessar o crédito tão esperado", criticou Lupion.
Líder da bancada agropecuária comentou ainda sobre as dificuldades do produtor no acesso ao crédito rural. "Os recursos subvencionados pelo governo na última safra foram menos de 20% do financiamento. Os outros 80% foram de crédito privado, dos títulos do agronegócio criados nas Leis do Agro 1 e 2 no governo Bolsonaro", apontou.
Ao citar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lupion disse que a realidade atual é "completamente diferente". "Hoje os juros reais para o produtor rural passam de 20%. Não tem dinheiro para investimento. A dificuldade para produtor investir na propriedade é proporcional a que ele tem para financiar sua safra", argumentou. Lupion mencionou ainda o endividamento crescente observado no campo e as exigências maiores por garantias cobradas pelas instituições financeiras no crédito rural, sobretudo com a cobrança maior por alienação fiduciária.
Lupion comentou também sobre o seguro rural, a qual, classificou como inexistente. "Nas safras 2024/2025 e 2025/2026, o governo federal colocou zero de subvenção ao seguro rural. Pelo contrário, usaram recursos do Programa de Subvenção ao Seguro Rural para pagar emenda parlamentar em Mato Grosso, o que será investigado pelo Tribunal de Contas da União", relatou. Outra crítica foi ao corte de 60% realizado no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), destinado à agricultura familiar.



