Taxas de juros caem com queda no petróleo por perspectivas de acordo entre EUA e Irã
No fechamento, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2027 cedeu de 14,377% a 14,15%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 14,075% a 13,765%. O DI para janeiro de 2031 diminuiu a 13,87%, vindo de 14,11%

O bom humor dos mercados consolidou os juros futuros em firme baixa no pregão desta segunda-feira, 23. As taxas curtas atingiram novas mínimas intradia por volta das 16h, seguindo o fechamento da curva dos Treasuries e a fraqueza global do dólar, em meio a perspectiva mais otimista para a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Ativo que tem guiado o desempenho dos demais desde a eclosão da guerra no Oriente Médio há quase um mês, o petróleo tipo Brent caiu quase 10% e voltou a ficar abaixo de US$ 100 o barril. Ainda que o Irã tenha negado a informação, declarações do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de que Washington e Teerã cheguem a um acordo e de que os Estados Unidos iriam fazer uma pausa de cinco dias nos ataques derrubaram as cotações da commodity, aliviando também as curvas de juros globais.
No fechamento, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2027 cedeu de 14,377% a 14,15%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 14,075% a 13,765%. O DI para janeiro de 2031 diminuiu a 13,87%, vindo de 14,11%.
Nesta tarde, Trump considerou que há uma boa chance de que um acordo positivo para ambos os lados seja alcançado e reiterou que o país persa não terá uma arma nuclear, um dos termos exigidos nas negociações. Segundo o republicano, desta vez o Irã "está falando sério", e "seria bom" se os EUA não precisassem intensificar as ofensivas ao país.
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, por sua vez, reforçou, em post no X, que não houve negociações de Teerã com os EUA, classificando as notícias como falsas. Ghalibaf disse que todos os oficiais apoiam firmemente seu líder e seu povo até que os objetivos contra os EUA sejam alcançados, e que Trump tenta manipular os mercados financeiros e de petróleo ao sinalizar um acordo.
"Trump está tentando acalmar o mercado. Já se viu que o Irã não é tão indefensável e tem muita força. Diante disso, o mercado está respirando hoje [segunda-feira] mais no espírito torcedor", avaliou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
Cruz observa que, no fim de semana, a perspectiva era de novas ofensivas norte-americanas ao Irã, após Trump ter ameaçado atacar e destruir usinas hidrelétricas do país se o fluxo de navegação no Estreito de Ormuz não fosse liberado em um prazo de 48 horas. Assim, o anúncio de uma trégua por cinco dias, mesmo que não haja acordo, já foi suficiente para reanimar o apetite a risco, disse.
O boletim Focus desta segunda, porém, já começa a mostrar impactos mais relevantes do conflito nas projeções. Entre a semana passada e a atual, o consenso de mercado para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiu de 4,10% para 4,17%. A previsão para 2027 ficou inalterada em 3,80%, mas aumentou ligeiramente para 2028, de 3,50% para 3,52%.
Também houve nova rodada de revisão para a taxa Selic ao final de 2026, agora estimada em 12,50%, de 12,25% na semana anterior. Para 2027, 2028 e 2029, a expectativa mediana do mercado permaneceu em 10,50%, 10,00% e 9,50%, respectivamente.
Para a reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), a mediana do Sistema Expectativas de Mercado, no qual o Focus se baseia, continua indicando que o próximo corte será de 50 pontos-base. Mas, considerando apenas as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, essa métrica já aponta uma redução menor, de 25 pontos-base.



