Taxas de juros contrariam Treasuries e encerram sessão em alta com cautela eleitoral
Em uma sessão volátil, os juros futuros negociados na B3 passaram a rondar estabilidade ao longo da tarde, mas se firmaram novamente em alta perto do fim do pregão desta quarta-feira, 14. As taxas chegaram a zerar o sinal positivo, seguindo em grande parte o ambiente externo, à medida que a curva dos Treasuries se afastou das máximas intradiárias registradas pela manhã. A apreensão com o quadro eleitoral, porém, acabou prevalecendo, com continuidade de um movimento de realização depois do rali da semana passada.
Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 subiu de 12,696%, no ajuste da véspera, a 12,735%. O DI para janeiro de 2029 anotou alta de 12,439% a 12,480%, e o para janeiro de 2031 avançou a 12,540%, vindo de 12,473% no ajuste.
Nos Estados Unidos, a taxa da T-Note de 2 anos operava praticamente estável em igual horário, em 4,799%, enquanto o juro da T-Note de 10 anos recuava a 5,181% e o do T-Bond de 30 anos cedia a 5,524%.
Passado o susto inicial com o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), que levou o mercado a precificar maior chance de elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em outubro, as apostas migraram para cerca de 65% de manutenção dos Fed Funds na próxima reunião, o que moderou a curva de juros americana e forneceu alívio ao mercado local de renda fixa.
Publicado nesta quarta, o CPI aumentou 0,6% em setembro ante agosto, em linha com as previsões, mas acelerou de 3,4% para 3,7% em 12 meses, acima dos 3,6% esperados. O núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês, ante consenso de 0,2%, e atingiu 2,6% em termos anuais.
Para um estrategista de uma grande instituição, os ativos locais melhoraram o desempenho com a descompressão dos Treasuries a partir do final da manhã, depois da reação inicial negativa com o dado de inflação. Um gestor de renda fixa de uma grande asset concorda. "Talvez a melhor explicação seja a de que ontem [terça-feira] o pessoal reduziu mesmo o risco, e hoje [quarta-feira] o mercado está mais de lado, acompanhando Treasuries", disse à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), sob anonimato.
Segundo Lindsey M. Piegza, economista-chefe da Stifel Economics, a aceleração "notável" do CPI cheio, somada ao núcleo mais pressionado, deve encorajar o Comitê de Mercado Aberto (FOMC, em inglês) a promover mais um aumento dos juros este ano. "Dito isso, uma segunda alta em 28 de outubro está longe de ser uma conclusão inevitável, já que vários dirigentes do Fed têm manifestado apoio a uma abordagem potencialmente mais paciente", tais como Christopher Waller e Michelle Bowman, ponderou ela.
Além da influência dos juros globais, o sócio e head de renda fixa da RAM Capital, João Luiz Valle, afirma que, ao longo da tarde, questões eleitorais também estiveram no foco, embora a tendência dos DIs tenha sido mais ditada pelo quadro internacional. Os agentes podem ter visto como ponto positivo para a campanha de Flávio o candidato ter voltado atrás e decidido comparecer ao debate da Band no próximo domingo, 18, diz Valle.
E, nos bastidores, acrescenta o gestor, houve rumores sobre trackings internos de bancos que teriam mostrado uma vantagem maior de Flávio sobre seu opositor. Nos últimos levantamentos, essa diferença foi reduzida e voltou a empate técnico. "Mas foi uma discussão mais informal", ressaltou.
Sem efeito sobre a curva, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrou que a atividade do setor recuou 0,1% entre julho e agosto, feitos os ajustes sazonais, abaixo do consenso do mercado de alta de 0,5%. Para o economista do ASA Leonardo Costa, o número é consistente com a trajetória de desaceleração gradual da atividade econômica.



