Taxas de juros encerram pregão atípico em estabilidade, mas curva inclina no mês

31/07/2026 às 18:21 atualizado por Arícia Martins - Estadão
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Em um pregão atípico e de liquidez baixa, devido a problemas técnicos da B3 na primeira etapa da sessão, a movimentação da curva de juros futuros também não fez muito sentido para agentes. Mesmo com os retornos dos Treasuries em forte alta, petróleo subindo e a ausência de dados relevantes no Brasil, os vértices médios e longos registraram mínima intradia rumo ao final da sessão, invertendo o sinal de leve alta que vigorava para viés de queda. Na semana anterior à decisão do Copom, que deve reduzir a Selic, a ponta curta já operava em baixa.

Segundo um trader, que falou sob condição de anonimato, "nada" explicou o alívio, "ainda mais indo na contramão de lá fora". A queda, porém, foi praticamente zerada no encerramento, em oscilação típica de dias sem vetores claros e com volume de negócios reduzido. No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2027 caiu de 13,818% no ajuste anterior a 13,81%. O DI para janeiro de 2029 oscilou de 14,123% a 14,13%. O DI para janeiro de 2031 teve leve baixa a 14,39%, vindo de 14,41%.

Na semana que antecede a próxima decisão do Banco Central, os vértices cederam em bloco, com destaque para o miolo da curva, que perdeu cerca de 35 pontos-base, seguido de recuo de cerca de 25 pontos da ponta longa e de cerca de 15 pontos do trecho curto.

Economista-chefe do grupo CVPAR, Marcelo Fonseca tem em seu cenário mais dois cortes da Selic, de 0,25 ponto, mas avalia que este não seria o momento de afrouxar a taxa diante de pressões fiscais e de uma inflação ainda resiliente, mesmo com melhora na margem.

"O BC está com disposição de tomar mais risco do que seria prudente. Ele deve continuar cortando até ao menos setembro, mas acho que está cometendo um erro", afirmou, citando uma política fiscal "fora de controle" e projeções "extremamente benignas" de inflação da autoridade monetária.

Nesta manhã, o Banco Central divulgou o resultado primário do setor público consolidado, que registrou déficit de R$ 55,313 bilhões em junho, rombo maior do que o previsto pela mediana do Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), de R$ 49,300 bilhões. "O déficit nominal está em 10% do PIB, a dívida pública cresceu mais de 3 pontos este ano, e a curva de juros tem sido também o principal termômetro da questão da incerteza eleitoral", diz Fonseca.

Em sua visão, o quadro fiscal, junto à perspectiva de continuidade do ciclo de baixa da Selic, explicam o ganho de inclinação da curva a termo no mês de julho, período que se encerrou com recuo de 20 pontos-base do DI para janeiro de 2027, virtual estabilidade nos vértices médios, e alta de 15 pontos no contrato para janeiro de 2031.

Lá fora, esta também tem sido a dinâmica dos Treasuries, observa o economista. Às 17h10, o retorno do T-Note de dois anos subia de 4,258% a 4,270%, o juro do título de dez anos avançava de 4,677% a 4,708%; e a do T-bond de 30 anos aumentava de 5,214% para 5,250%.

Thomas Simons, economista do Jefferies Group, observa que os juros dos títulos americanos de 30 anos estão no nível mais alto desde junho de 2007, e os de 10 anos "não ficam muito atrás" do pico de 19 anos. Simons atribui a piora à divergência no Comitê de Mercado Aberto (Fomc, em inglês) do Federal Reserve (Fed), que manteve os juros essa semana, mas contou com três votos divergentes em favor de alta. "O mercado teve dificuldade para digerir a comunicação do Fomc".