Taxas de juros fecham em queda com relatos de que há versão final de acordo EUA-Irã

21/05/2026 às 18:12 atualizado por Arícia Martins - Estadão
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Após a notícia sobre avanços que culminaram em uma versão final preliminar de um acordo entre Estados Unidos e Irã ter provocado uma repentina virada para cima nos ativos globais e domésticos na segunda etapa do pregão, o movimento perdeu ímpeto rumo ao final da sessão, mas os juros futuros fecharam em baixa.

O alívio, que fez todas as taxas deixarem a firme alta observada até então e atingirem mínimas entre 14h30 e 15h00, arrefeceu conforme as cotações do petróleo também desaceleraram a queda, em mais um dia no qual o ambiente externo ditou a oscilação da curva.

Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 14,057% no ajuste de quarta a 14,04%. O DI para janeiro de 2029 fechou negociado a 13,845%, vindo de 13,912% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 anotou queda de 14,076% no ajuste anterior a 14,02%.

Profissionais do mercado ouvidos pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) avaliam que, após a primeira reação de euforia ao acordo mediado pelo Paquistão, os investidores ponderaram que o histórico recente de frustrações nas tratativas entre os dois países ainda deixa incertezas no cenário. Segundo relato da agência Al Arabiya por volta das 14h25, o consenso deve ser anunciado "nas próximas horas", e prevê um cessar-fogo imediato e abrangente em todas as frentes.

As partes também teriam se comprometido mutuamente a evitar ataques contra infraestruturas, ao mesmo tempo em que a liberdade de navegação no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz seria garantida por meio de um mecanismo conjunto de monitoramento. As sanções devem ser gradualmente suspensas em troca do cumprimento, pelo Irã, dos termos do acordo. Nem Teerã nem Washington confirmaram o entendimento até o momento.

"Como já houve inúmeras idas e vindas com relação à realização de um acordo, há algum grau de ceticismo. O mercado de juros futuros segue bastante correlacionado ao preço do petróleo", aponta Sergio Goldenstein, sócio-fundador da consultoria Eytse Estratégia.

O contrato futuro do petróleo tipo Brent para julho, que subia cerca de 2% no pregão regular até a notícia sobre o acordo, passou a recuar 1,5%, o que causou a inversão do sinal positivo para negativo nos DIs, afirma Goldenstein. "Mas vale notar que a queda do Brent é bem modesta", ponderou.

Apesar de ter fechado em declínio de 2,32% com os relatos de progressos diplomáticos entre o governo Trump e o país persa, o barril do Brent seguiu cotado acima de US$ 100, a US$ 102,58, nível que ainda não dissipa totalmente os temores inflacionários, num momento em que os estoques estão minguando.

Para Andrea Damico, sócia e economista-chefe da BuysideBrazil, a chance de que as cotações do Brent voltem a um nível de US$ 70 é de apenas 5%, frente a probabilidades de cerca de 30% cada para preços de US$ 85, US$ 100 e acima de US$ 120.

Caso a notícia sobre o acordo seja confirmada, há espaço para recuos adicionais da commodity energética e, consequentemente, devolução adicional dos prêmios de risco embutidos nos DIs, avalia André Muller, economista-chefe da gestora de recursos AZ Quest.

"Se o petróleo cair, a descompressão vai acontecer na precificação da política monetária aqui. Ainda há poucos cortes precificados para um eventual cenário de fim de guerra", apontou. "É difícil avaliar a probabilidade disso acontecer ou não, mas hoje é o que afetou todos os ativos de risco correlacionados com o petróleo", observou Muller.

As apostas para a trajetória da Selic apontadas pela curva futura, porém, pouco mudaram em relação a quarta, numa mostra de que o mercado ainda espera mais avanços nas negociações e descompressão mais consistente nos preços do óleo. A chance de um corte de 0,25 ponto do juro básico na reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom), que quarta estava em 88%, avançou a 92% nesta quinta-feira, 21. Já a taxa terminal projetada para o fim de 2026 oscilou a 13,95%, de 14% na quarta.

"O cenário de queda de 0,25 ponto na próxima reunião deve se consolidar, e vamos voltar à discussão sobre a extensão do ciclo, dado o nível da Selic", diz Muller.