Taxas de juros têm firme alta na sessão com piora das tensões no Oriente Médio
A reescalada das tensões no Oriente Médio provocou alta de quase 10% do petróleo e pressionou as curvas de juros globais nesta segunda-feira, 13, levando a reboque o mercado de renda fixa local. As taxas futuras encerraram a sessão renovando máximas, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que país vai atacar o Irã com "muita força" a partir da noite desta segunda, e na terça-feira 14.
Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2027 subiu de 13,904% no ajuste de sexta-feira a 13,955%. O DI para janeiro de 2029 aumentou a 14,23%, de 14,009% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 saltou a 14,38%, vindo de 14,209%.
Nesta segunda, os EUA oficializaram o bloqueio marítimo ao Irã. A medida, que terá início às 17h (de Brasília) desta terça-feira, se somou a afirmações de Trump de que o país vai assumir o controle do Estreito de Ormuz e deve cobrar um "pedágio" na rota. Com interpretações divergentes dos dois lados de como deve ser operada a passagem e novos ataques na região, os temores inflacionários voltaram aos holofotes e reverberaram sobre os DIs futuros.
Head de renda fixa da Empiricus Research, Laís Costa pondera que a expectativa de que o conflito tenha uma resolução em breve não foi totalmente descartada, dado que o barril do Brent está na casa de US$ 83. "Se tivesse ido por água abaixo, estaria mais estressado que isso", disse. Costa observa que, embora não seja possível substituir totalmente o estreito, a criação de rotas alternativas e a interrupção de compras da commodity da China equilibraram melhor oferta e demanda. "Esses pontos dificultam que o petróleo volte a explodir acima de US$ 100."
O cenário-base do banco Pine para o conflito permanece de "confrontação limitada", intercalada por negociações, uma vez que os dois lados têm razões políticas e econômicas para evitar uma guerra prolongada. "Ainda assim, o risco de erro de cálculo aumentou sensivelmente", alerta Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Pine.
De acordo com Oliveira, a disputa deixou de se restringir à possibilidade de fechamento de Ormuz e passou a envolver quem terá o controle operacional da rota. Em sua visão, enquanto não houver garantias verificáveis de livre navegação, o mercado deve seguir embutindo um elevado prêmio geopolítico aos preços do petróleo.
O recente salto do óleo não alterou a perspectiva de que o Banco Central continuará o ciclo de calibração da Selic em agosto, aposta que está praticamente "sacramentada", diz Costa, da Empiricus. Nesta tarde, a precificação da curva futura apontava 22 pontos-base de redução da taxa na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ou seja, 88% de chance de corte, contra apenas 12% de manutenção nos atuais 14,25%.
Para o encontro de setembro do colegiado, porém, os 6 pontos-base de queda precificados na última sexta-feira caíram marginalmente nesta segunda, para -5 pontos, cita Costa. "Isso é um pouco de prêmio. O cenário para setembro é mais de manutenção", disse.
No início da tarde, declarações 'hawkish' do diretor de Federal Reserve (Fed) Christopher Waller também elevaram os rendimentos dos Treasuries e, em menor medida, os DIs. Waller afirmou que pode ser necessário aumentar juros se o núcleo do índice de inflação ao consumidor (CPI, em inglês), a ser publicado na terça, for alto, acrescentando que está preocupado com o ritmo em que o núcleo tem aumentado em 2026.



