Taxas de juros terminam a sessão em relativa estabilidade, apesar de cautela com fiscal
Depois de ter ganhado inclinação em boa parte da sessão, na esteira da aprovação da PEC dos agentes de saúde no Senado e da pesquisa Genial/Quaest que mostrou liderança do presidente Lula em cenários de primeiro e segundo turno, a curva de juros futuros perdeu ímpeto e passou a rondar os ajustes anteriores no fim da tarde. O movimento acompanhou a queda maior dos rendimentos dos Treasuries após a divulgação do Livro Bege do Fed e, no cenário local, não teve gatilho claro, segundo agentes.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou a 13,89%, de 13,9% no ajuste antecedente. Neste trecho da curva, profissionais apontaram alguma influência da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, que indicou atividade mais fraca do que o previsto no setor. A taxa do DI para janeiro de 2029 caiu de 14,041% no ajuste da véspera a 14,025%. O DI para janeiro de 2031 fechou em 14,245%, vindo de 14,235%.
Ao longo de todo o pregão, as taxas operaram sob um jogo de forças do ambiente externo, favorável ao fechamento da curva, e de fatores de pressão trazidos pelo quadro doméstico. Nos Estados Unidos, o núcleo do índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) subiu 0,2% em junho ante maio, abaixo da alta de 0,4% projetada, corroborando o cenário mais benigno trazido ontem pelo CPI. Já por aqui, os ruídos fiscal e político voltaram a fazer preço.
Nesta manhã, a Genial/Quaest apontou que Lula ampliou a vantagem, dentro da margem de erro, sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Na leitura do mercado, a continuidade do governo atual sinaliza que a política fiscal deve seguir menos austera.
Mas a maior pressão sobre os DIs durante boa parte da sessão veio do plenário do Senado, que aprovou na noite de terça, em segundo turno, a PEC 14/2021, que pode ter impacto fiscal de R$ 27,9 bilhões em dez anos, segundo o Ministério da Previdência Social (MPS). A avaliação é de Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset. "O cenário fiscal fica ainda pior do que o imaginado", disse.
Por outro lado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, relatou nesta tarde que pediu a Alcolumbre "cautela" sobre o momento de promulgar a pauta, uma vez que ainda é preciso fazer cálculos de impactos fiscais, inclusive em Estados e Municípios. "Isso pode ter dado algum alívio à curva. Mas reforço que não está claro o movimento", pondera Costa.
Economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares apontou que, na segunda parte dos negócios, houve uma melhora do cenário prospectivo para a política monetária nos EUA, desencadeada pelo Livro Bege do Federal Reserve (Fed). O documento indicou que os preços aumentaram em nível moderado, enquanto a atividade subiu em ritmo "leve a moderado" em 11 dos 12 distritos do Fed. "A T-Note de dois anos fechou com força, jogando cada vez mais à frente a chance de alta dos juros", comentou.
Além disso, ele acrescenta que o dado de serviços do Brasil de maio, que recuou 0,4% ante abril, também ajudou a manter a ponta curta bem comportada. Segundo Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, economistas da XP, a perspectiva é de expansão modesta do setor à frente. De um lado, o mercado de trabalho apertado e medidas de estímulo devem sustentar a demanda das famílias no curto prazo. De outro, os juros elevados tendem a limitar uma alta mais expressiva, avaliam.



