Paraná se consolida como segundo maior produtor de leite do Brasil, aponta boletim da SRP
Quarta edição do Observatório de Indicadores da Sociedade Rural do Paraná mostra que o estado responde por 12,9% da produção nacional e se destaca pela produtividade, organização da cadeia e avanço da industrialização

O Paraná segue consolidado como um dos principais polos da pecuária leiteira brasileira. É o que aponta o quarto Boletim do Observatório de Indicadores da Sociedade Rural do Paraná (SRP), que destaca a força do estado no setor, marcada pela combinação entre escala produtiva, tecnologia, cooperativismo e organização da cadeia. Com base em dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2024), do IBGE, o boletim mostra que o Paraná produziu 4,62 bilhões de litros de leite, volume que coloca o estado na segunda posição do ranking nacional. O resultado representa 12,9% de toda a produção brasileira.
A atividade também tem forte relevância econômica para o estado. Em 2023, o leite movimentou cerca de R$ 11,3 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP), consolidando-se como uma das principais atividades da agropecuária paranaense. A produção está distribuída em centenas de municípios, com destaque para regiões como Oeste, Sudoeste e Campos Gerais, que concentram sistemas produtivos tecnificados e elevados índices de produtividade.
No cenário nacional, o Brasil produziu 35,74 bilhões de litros de leite em 2024. Segundo o boletim, o setor registrou crescimento estimado de 7,2% em 2025, impulsionado por condições climáticas favoráveis e ganhos de produtividade. Apesar do avanço da produção, o mercado enfrentou pressão nos preços pagos ao produtor. De acordo com o Indicador Cepea, o preço médio nacional ficou em R$ 1,99 por litro em dezembro de 2025, acumulando queda real de 25,8% ao longo do ano.
Mesmo diante do recuo nos preços, os custos de produção permaneceram relativamente estáveis. O Índice de Custo de Produção de Leite (ICPLeite) registrou alta de 3% em 2025, variação considerada moderada diante do cenário econômico. Essa estabilidade contribuiu para preservar a rentabilidade dos produtores mais eficientes, especialmente aqueles com maior domínio sobre a produção de alimentos dentro da própria propriedade.
Um dos principais diferenciais do Paraná está na eficiência produtiva. O estado possui cerca de 497 mil vacas ordenhadas, o equivalente a apenas 2,3% do rebanho nacional, mas responde por 12,9% da produção brasileira de leite. Enquanto a média nacional gira em torno de 2,2 mil litros por vaca ao ano, no Paraná a produtividade média chega a aproximadamente 3,5 mil litros por vaca ao ano.
Esse desempenho é resultado de um processo contínuo de modernização. Entre 2017 e 2023, a produtividade média diária subiu de 10,21 para 15,28 litros por vaca, avanço próximo de 50%. O crescimento está associado à adoção de genética superior, melhorias no manejo nutricional e uso de tecnologias reprodutivas e sanitárias nas propriedades.
O cooperativismo também aparece como um dos pilares da cadeia leiteira paranaense. Cerca de 54% dos produtores são cooperados, e metade da produção estadual é destinada às cooperativas, que oferecem assistência técnica, acesso a crédito e garantia de compra do leite. Esse modelo fortalece a gestão das propriedades e reduz os riscos associados à volatilidade do mercado.
Além da produção no campo, o Paraná vem ampliando sua presença na industrialização do leite. Desde 2019, foram investidos mais de R$ 1,2 bilhão na indústria láctea, com expansão da produção de queijos, leite em pó e derivados de maior valor agregado. Entre 2018 e 2023, o volume de leite industrializado cresceu 18%, reforçando o papel do estado como polo de transformação industrial do setor.
Na avaliação do Observatório da SRP, os dados mostram que a competitividade do leite paranaense está sustentada em três pilares: produtividade, organização coletiva e agregação de valor. Mesmo em um ciclo de preços mais baixos, a combinação entre tecnologia, gestão eficiente e integração da cadeia tem contribuído para manter o equilíbrio econômico da atividade.
Para o Observatório, o Paraná se consolida como referência nacional em eficiência na pecuária leiteira, demonstrando que a sustentabilidade do setor depende não apenas das oscilações de mercado, mas da capacidade de gestão, inovação e organização produtiva no campo.
Informações: Assessoria de Imprensa



