Safra de noz-pecã do Rio Grande do Sul pode chegar a 7 mil toneladas em 2026

Estado é responsável por mais de 90% da produção nacional

29/04/2026 às 14:38 atualizado por Redação - SBA
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A safra de noz-pecã do Rio Grande do Sul em 2026 pode atingir a marca de 7 mil toneladas, um valor acima da média histórica e que seria um recorde para o estado. A estimativa foi apresentada pelo Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan) durante a reunião da Câmara Setorial do cultivo, realizada nesta terça-feira (28/4) pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

“A colheita deu uma antecipada em algumas variedades de árvores e em algumas regiões, mas está bem espalhada. Como tem áreas que não abriram ainda, provavelmente vai ser uma colheita mais longa do que o habitual. Pelo que temos recebido de relato dos produtores, tendo em perspectiva a média de produção, esperamos chegar a uma safra bem significativa frente aos outros anos”, comentou o presidente da IBPecan, Claiton Wallauer.

O gerente técnico da Emater/RS-Ascar, Luís Bohn, confirmou a estimativa. “Tendo como base as informações conjunturais que a Emater capta pelos seus escritórios municipais, há um indicativo de que teremos uma safra muito boa este ano”, complementou.

Para o coordenador da Câmara Setorial, Carlos Eduardo Scheibe, o aumento de produção de noz-pecã para essa safra pode estar relacionado a dois fatores. “Tivemos condições climáticas melhores, mas também estamos com um número grande de pomares entrando em produção, mudas que foram plantadas em 2010, por exemplo”, explicou. 

O consultor técnico da Pecanita, Jaceguay Barros, projeta que a safra de noz-pecã pode aumentar de forma consistente até 2030. “De 2013 a 2019, o comércio de mudas foi muito aquecido, e essa onda de plantio se refletirá nas produções de 2025 a 2030, quando esses pomares entrarem em produção”, avaliou. 

O Brasil já é o quarto maior produtor de noz-pecã do mundo, com o Rio Grande do Sul responsável por mais de 90% da produção nacional, segundo dados do IBGE.

Fase 3 do Programa Irriga+RS

O coordenador do Programa Estadual de Desenvolvimento da Pecanicultura (Pró-Pecã), Paulo Lipp, apresentou algumas informações sobre a terceira fase do Programa Irriga+RS, cujo edital foi lançado na semana passada. O prazo para envio de projetos é até 30 de outubro. O Irriga+RS prevê o aporte financeiro do Governo do Estado de 20% do valor do projeto, pagos direto ao produtor rural, limitado a R$ 150 mil por pessoa que investir, implantar ou ampliar sistemas de irrigação, e construir, adequar ou ampliar reservatórios de água para fins de irrigação.

A pecanicultura é uma das culturas que pode se beneficiar do Programa. O produtor Arlindo Maróstica, que sediará a abertura oficial da colheita da noz-pecã em sua propriedade em Nova Pádua, participou da segunda fase do Irriga+RS e relatou seu caso de sucesso.

“Esse ano percebi que só caíram nozes do pé, e não as folhas, e isso é bom porque indica que não teremos aquela queda de produção que tivemos na safra passada. E a irrigação fez toda a diferença. Aqui em Nova Pádua, por incrível que pareça, a partir de 15 de janeiro quase não choveu, Caxias dava 60 milímetros e aqui não caía nada. Então a irrigação foi crucial, foi a salvação para esse período”, contou.

O coordenador da Câmara Setorial, Carlos Eduardo Scheibe, destacou a importância de se pensar a irrigação desde o início da criação de um pomar. “A gente paga o preço do pioneirismo, mas o erro mais crasso que cometi foi imaginar que, depois que começasse a produzir, poderia usar esse dinheiro para colocar irrigação. Aprendi que a irrigação tem que estar desde o começo da implantação do pomar, porque aí já temos uma planta de desenvolvimento mais rápido, mais sadia”, relembrou.