Com IPCA de março, medianas do Focus já indicam inflação acima do teto da meta por 5 meses
A surpresa para cima com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo ( IPCA) de março aumentou a chance de o Banco Central perder novamente a meta de inflação nos próximos meses. Com o resultado do mês passado, as medianas das estimativas do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o relatório Focus do BC, passaram a indicar que o IPCA acumulado em 12 meses vai ficar acima do teto da meta, de 4,50%, por cinco meses seguidos: de outubro de 2026 até fevereiro de 2027.
Válida desde o ano passado, a meta de inflação contínua é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos - de 1,50% a 4,50%. O novo regime é apurado com base na inflação acumulada em 12 meses. Se a taxa ficar acima ou abaixo do limite de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
O IPCA acelerou de 0,70% em fevereiro para 0,88% em março, acima do teto (0,82%) e da mediana (0,77%) da pesquisa Projeções Broadcast.
Foi a maior taxa mensal desde fevereiro de 2025 (1,31%), puxada pela disparada dos preços de gasolina (4,59%) e diesel (13,90%) - os aumentos mais fortes, para esses itens, desde 2023 e 2002, respectivamente, em meio ao aumento dos preços de petróleo no mercado internacional.
Tomando como base as medianas do Sistema Expectativas de Mercado da última quinta-feira, 2, o IPCA acumulado em 12 meses passaria de 4,14% em março deste ano para 4,59% em agosto, o primeiro mês acima do teto da meta. Em seguida, a taxa cairia a 4,40% em novembro, para subir a 4,58% em outubro, 4,63% em novembro, 4,73% em dezembro e 4,76% em janeiro de 2027. Depois, desaceleraria a 4,61% em fevereiro, e a 4,04% em março.



