Dólar cai com discurso mais ameno de Warsh, carry trade e alta do petróleo
Passada a cautela e o compasso de espera com a decisão de juros do Federal Reserve (Fed) - que manteve a taxa dos Fed Funds inalterada no nível de 3,50% a 3,75% como o esperado -, o dólar passou a ceder ante o real, em linha com a desvalorização da divisa globalmente. O movimento se acentuou durante coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh, e teve respaldo do maior apetite por carry trade e da alta acima de 7% do petróleo, por melhorar os termos de troca para o Brasil.
Após mínima a R$ 5,0891 à tarde e máxima a R$ 5,1417 pela manhã, o dólar à vista fechou em baixa de 0,27%, a R$ 5,1084. O contrato futuro para agosto cedia 0,42%, a R$ 5,1100, por volta das 17h, enquanto o índice DXY - que mede a divisa americana contra seis pares fortes - recuava 0,47%.
Ainda que Warsh tenha evitado fazer previsões e dito que a inflação continua elevada em relação à meta, ele também citou surpresa positiva recente nesse campo.
O head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, considera que Warsh tentou "dar uma amenizada" no discurso para não aterrorizar o mercado, mas as declarações parecem superficiais. "O discurso pós-decisão é contraditório, considerando os dados inflacionários amenos em julho, mas os riscos ligados à falta de ações convincentes de um fim do conflito no Oriente Médio, o principal vilão da inflação global após março", afirma.
O economista-chefe da Western Asset Management, Adauto Lima, avalia que o mercado reagiu de maneira otimista assim que o Fed decidiu manter a taxa de juros inalterada, porém a divergência com três votos favoráveis para uma alta foi surpreendente.
As dissidências em questão vieram de Beth Hammack (Fed de Cleveland), Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) e Lorie Logan (Fed de Dallas), que defenderam uma alta de 25 pontos-base. Como resultado, o mercado manteve as expectativas para alta nos juros dos EUA em setembro, com 71,3% de probabilidade, aponta a plataforma do CME Group.
"A divisão interna aumenta a incerteza e pode manter a volatilidade elevada", menciona o economista e CEO da Veedha Investimentos, Rodrigo Marcatti.
Para Lima, da Western, como a taxa de curto prazo dos juros - tanto americanos quanto do Brasil - reagiu às declarações de Warsh em queda, o real se favorece por conta da arbitragem. Além disso, o petróleo novamente em alta favorece a balança comercial e pode gerar um alívio temporário. "Uma incerteza grande também é o que acontecerá com o fluxo global", afirma, relembrando que houve uma realocação nos portfólios após o chamado Liberation Day que instituiu o tarifaço americano em 2025.
Nesta quarta-feira, o petróleo Brent para outubro fechou em alta de 7,32%, a US$ 88,09 o barril, diante da retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. O presidente Donald Trump afirmou ainda que as forças americanas vão "atingir com força" o país persa.
Chiumento, do BS2, também considera que o real tem um viés positivo em relação ao Oriente Médio e nota ainda um benefício relacionado ao carry trade. Ainda assim, cita riscos eleitoral-fiscal e monetário para ficarem no radar.
O exterior atuou como principal termômetro para o câmbio desta quarta, com o saldo de vagas no Caged perto do teto das estimativas e a balança comercial com superávit de US$ 1,116 bilhão na quarta semana de julho ficando em segundo plano.



