Dólar recua para R$ 5,14 com exterior e eleição, mas sobe 1,21% na semana

21/08/2026 às 17:38 atualizado por Antonio Perez - Estadão
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O dólar acentuou o ritmo de baixa ao longo da tarde, furou o piso de R$ 5,15 e, após mínima de R$ 5,1330, terminou a sessão desta sexta-feira, 21, em queda de 0,93%, a R$ 5,1451 - menor valor de fechamento desde o último dia 10. Operadores ouvidos pela Broadcast apontam o ambiente externo favorável a ativos de risco, com redução das tensões no Oriente Médio e acomodação dos preços do petróleo, como principal indutor do comportamento da taxa de câmbio.

A perspectiva de uma corrida presidencial mais acirrada, em meio à expectativa de que a nova rodada de pesquisas eleitorais mostre leve desidratação das intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode ter contribuído para o tombo mais forte do dólar por aqui. O real apresentou o melhor desempenho entre as moedas globais mais líquidas, talvez em parte por conta de uma correção natural após o tombo recente. Apesar do escorregão hoje, o dólar terminou a semana com alta de 1,21%, levando a valorização em agosto para 1,47%.

"O dólar cai no exterior desde cedo, com o DXY na menor cotação em meses, em um dia mais favorável ao risco. Provavelmente entrou dinheiro estrangeiro para ativos locais", afirma o operador sênior Fernando Cesar, da AGK Corretora, ressaltando que o Ibovespa voltou a superar os 170 mil pontos.

De fato, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes - acumulou baixa de cerca de 0,80% na semana, oscilando abaixo dos 99,000 pontos, no menor nível desde maio. A decisão do Tesouro americano de duplicar as recompras de papéis de longo prazo, anunciada na última quarta-feira, 19, tende a tirar força da moeda americana.

"Vemos os desdobramentos desta semana menos como uma história de credibilidade e mais como uma história de dólar fraco e apetite por risco, caso o Tesouro dos EUA esteja mais interessado em proteger a ponta longa da curva", afirma o chefe de estratégia global de mercados e de câmbio do banco ING, Chris Turner, ressaltando que a possibilidade é de desempenho forte de moedas ligadas a commodities.

Um dos pontos de atenção para as divisas emergentes é a possibilidade de aumento das apostas em alta dos juros nos EUA neste ano, dado o impacto da escalada dos preços do petróleo. As cotações da commodity andaram praticamente de lado hoje, mas terminam a semana com ganhos acima de 5% hoje. A cotação do Brent para outubro está na casa dos US$ 94 o barril. Divulgada na última quarta-feira, a ata do Federal Reserve mostrou que vários dirigentes estão inclinados a apertar a política monetária.

Além do ambiente externo favorável a divisas emergentes, o real pode ter se beneficiado da perspectiva de acirramento da corrida presidencial, observa o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz. Ele menciona a expectativa pela nova rodada de pesquisas eleitorais, em especial o levantamento do Datafolha, que será divulgado ainda hoje. A leitura majoritária entre investidores é que a reeleição de Lula significa manutenção da atual política fiscal, o que elevaria os prêmios de risco.

"Há uma expectativa de que as próximas pesquisas mostrem um desgaste do presidente Lula por conta das denúncias de corrupção contra o filho dele", afirma Cruz, em referência a investigações da Polícia Federal sobre Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, por suposto tráfico de influência.