Ibovespa cai na semana, mas tem melhor pregão desde 30/7 com exterior e eleição

21/08/2026 às 18:45 atualizado por Juliana Machado - Estadão
Siga-nos no Google News

A maior procura dos investidores por ativos de risco no mundo ajudou o Ibovespa a abandonar os fechamentos positivos tímidos na semana para marcar nesta sexta-feira, 21, o seu melhor pregão desde 30 de julho, quando havia encerrado em alta de 1,88%. A maior demanda por risco se traduziu em diversos setores na bolsa, sobretudo no setor bancário, que carregou o índice.

O Ibovespa terminou o dia longe das máximas perto dos 172 mil pontos, mas, ainda assim, com alta firme de 1,85%, aos 171.031,73 pontos. Do lado externo, o avanço nos ativos de maior risco chegou aos demais emergentes: o EEM (iShares MSCI Emerging Markets), maior ETF ligado a empresas de países emergentes, subia 0,74% no fim da sessão.

Apesar do movimento mais favorável, o índice completou a sua terceira semana no vermelho, fechando com baixa acumulada de 0,86%. No mês, o saldo ainda é negativo em 3,91%.

Embora os rendimentos dos Treasuries tenham avançado hoje, o movimento de queda dos juros locais ajudou a manter a bolsa comportada. Ao mesmo tempo, os investidores acompanham um cenário mais amplo nos EUA, que é a recompra de títulos anunciada nesta semana pelo Tesouro do país. A queda das taxas motivou um aumento da liquidez global, que persiste no curto prazo, segundo especialistas.

"É um conjunto de fatores, uma pressão menor das taxas dos títulos dos EUA, que melhora a perspectiva em relação a uma nova onda de alta de juros na próxima reunião do Fed, e essa dinâmica para cá, que alivia a pressão porque a bolsa depende do estrangeiro e do fluxo global", afirma Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos.

Outro aspecto importante são as eleições. Após o fechamento do mercado, é esperada a divulgação da pesquisa Datafolha, que trará os números mais novos a respeito da disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT).

As divulgações na frente política devem fazer cada vez mais preço nos mercados e, hoje, operadores destacam a perspectiva de um acirramento na disputa entre as duas maiores chapas. Isso tende a ser lido como algo positivo no mercado diante do esperado alinhamento dos candidatos à direita com pautas como o compromisso fiscal e o controle de gastos públicos.

"Pesquisas vêm mostrando o Flávio mais competitivo e trackings que apontam empate técnico", afirma Bruno Perri, economista-chefe e fundador da Forum Investimentos. "Maiores chances de vitória da oposição no segundo turno contribuem para a queda do dólar e o fechamento das curvas de juros. O mercado segue bastante sensível ao quadro fiscal, que, por sua vez, é uma derivada direta do desfecho eleitoral", acrescenta.