Fim da 'taxa das blusinhas' agrava desequilíbrio entre importados e nacionais, diz Abicalçados
A Abicalçados, entidade que representa a indústria de calçados, engrossou o coro empresarial contra a decisão do governo de zerar a "taxa das blusinhas", como é chamado o imposto de importação de 20% cobrado nas compras de até US$ 50 em sites internacionais. Em manifestação de repúdio à isenção do tributo, cuja medida provisória foi assinada na terça-feira, 12, a associação classifica a medida como "drasticamente prejudicial ao setor". Segundo a Abicalçados, o desequilíbrio concorrencial entre produtos importados e nacionais será aprofundado.
"Essa distorção competitiva ameaça a indústria nacional, o varejo, a geração de empregos e renda, e torna cada vez mais o Brasil apenas um destino de mercadorias estrangeiras, em detrimento da produção doméstica", comenta o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.
Segundo a entidade, as importações de calçados da China cresceram 85,1% nos últimos dez anos, enquanto, somente em 2025, os volumes provenientes do Vietnã e da Indonésia avançaram, respectivamente, 21,4% e 32,8%, alcançando o maior patamar da série histórica.
"Nesse contexto, a retirada da alíquota não corrige distorções, mas as aprofunda, favorecendo a substituição da produção nacional por mercadorias estrangeiras e intensificando a exportação de empregos brasileiros", lamenta Ferreira.



