Superávit global de cacau é revisado para 247 mil t em 2025/26, com El Niño pressionando o próximo ciclo

No Brasil, a produção avançou 61% no primeiro trimestre de 2026 na comparação anual, sinalizando forte retomada após a quebra recente

29/04/2026 às 14:00 atualizado por Redação - SBA
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O superávit global de cacau para a safra 2025/26 foi revisado para 247 mil toneladas pela StoneX, empresa global de serviços financeiros, em um cenário de recuperação consistente da produção após a quebra de 2023/24. Para 2026/27, o mercado deve permanecer superavitário, mas com excedente menor, estimado em 149 mil toneladas, diante do aumento dos riscos climáticos associados à possível intensificação do El Niño.

“As condições climáticas têm favorecido a recuperação da produção em 2025/26, mantendo o mercado em trajetória de recomposição de estoques. No entanto, para 2026/27, o avanço rápido das projeções de El Niño adiciona um fator relevante de incerteza, especialmente sobre a oferta no Oeste Africano”, realça o analista de Inteligência de Mercado, Lucca Bezzon.

De acordo com Bezzon, a produção global segue alinhada às expectativas iniciais da StoneX, com clima favorável e bom ritmo de entregas nos principais países produtores. Ajustes pontuais foram feitos, com destaque para Equador e Camarões, que apresentaram volumes ligeiramente abaixo do previsto. Do lado da demanda, o mercado ainda mostra fraqueza, embora com sinais de estabilização após quedas recentes.

Recuperação da produção em curso, com riscos no horizonte

No Brasil, a produção dá sinais claros de retomada. No primeiro trimestre de 2026, houve alta de 61% na comparação anual, indicando recuperação após a quebra de 2023/24. A tendência é de continuidade desse movimento, embora o risco climático volte ao radar, especialmente na Bahia.

Na Costa do Marfim, maior produtor global, a safra 2025/26 segue dentro do esperado, com projeção de 1,834 milhão de toneladas. Para 2026/27, a estimativa foi levemente ajustada para 1,830 milhão de toneladas, já refletindo possíveis impactos do El Niño.

Em Gana, a safra apresenta bom desempenho, com expectativa de superar 600 mil toneladas, sustentada por condições climáticas favoráveis. Ainda assim, o próximo ciclo também incorpora riscos climáticos.

O Equador, por sua vez, mantém produção historicamente elevada, apesar de uma desaceleração recente nas entregas, o que levou a um ajuste marginal nas projeções.

El Niño é um risco para o mercado

A rápida mudança no cenário climático global elevou a probabilidade de ocorrência de um El Niño a partir do segundo semestre de 2026, principal vetor de risco para o mercado.

Historicamente, o fenômeno reduz a produção global de cacau em cerca de 1,7%, em contraste com o crescimento médio de 2,6% em anos normais, com impactos variando entre regiões, incluindo maior risco de seca e estresse hídrico no Oeste Africano, aumento de temperatura e risco hídrico no Brasil, possíveis efeitos positivos com ressalvas no Equador e tendência de queda produtiva na Indonésia em cenários mais secos.

“A demanda global segue em processo de ajuste após a retração observada em 2025, com queda de 2,4% na moagem no primeiro trimestre de 2026, desacelerando frente ao recuo de 7,7% no trimestre anterior, indicando estabilização gradual, ainda que insuficiente para caracterizar uma reversão mais clara”, compartilha o analista.

Conforme explica, a queda recente dos preços, que retornaram a patamares mais próximos da normalidade, tende a estimular o consumo nos próximos meses. Nesse contexto, a StoneX projeta estabilidade em 2025/26, com leve alta de 0,2% e recuperação moderada de 2,4% em 2026/27.

Diante desse cenário, as revisões da consultoria mantêm um cenário de reconstrução gradual dos estoques globais, ainda que em ritmo mais moderado, com a recuperação produtiva fora da África ajudando a compensar fragilidades estruturais no Oeste Africano.

A relação estoque/uso deve avançar para 34,0% em 2025/26 e 36,3% em 2026/27, consolidando um processo de normalização após a forte destruição de estoques observada em 2023/24. “O mercado caminha para uma normalização após o choque recente, mas ainda depende da evolução da produção, da retomada da demanda e, principalmente, do comportamento climático nos próximos meses”, finaliza Bezzon.

 

Informações: StoneX